Taiwan agradece críticas ocidentais à operação marítima chinesa

Taiwan agradece críticas ocidentais à operação marítima chinesa

Taiwan agradeceu hoje as críticas dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha à recente operação marítima chinesa a leste da ilha, considerando que violou o direito internacional e comprometeu interesses da comunidade internacional.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu | Ann Wang - Reuters

Numa mensagem publicada na rede social X, o secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, elogiou a declaração conjunta das representações diplomáticas de facto do Reino Unido, França e Alemanha na ilha, bem como as críticas feitas separadamente pelos Estados Unidos à operação chinesa.

"Uma ordem internacional baseada em regras, o `status quo`, a paz e a estabilidade regionais são tudo o que nos importa. A República Popular da China deve pôr fim ao seu expansionismo marítimo", escreveu Wu.

As declarações surgem cerca de duas semanas e meia após Pequim lançar uma "operação especial de controlo marítimo" em águas situadas a leste de Taiwan, em resposta ao anúncio do Japão e das Filipinas de que vão iniciar negociações para delimitar as respetivas zonas económicas exclusivas e plataformas continentais naquela região.

Segundo o Governo chinês, a operação visa exercer a "jurisdição administrativa de controlo marítimo", reforçar a capacidade de patrulhamento em águas profundas e de controlo do tráfego em "zonas marítimas importantes", garantir a segurança da navegação e "salvaguardar os interesses nacionais".

O ministério da Defesa de Taiwan registou um aumento significativo da atividade marítima chinesa este mês, contabilizando mais de 100 navios oficiais chineses nas imediações da ilha, face aos 44 registados em maio e aos 40 de abril.

Num comunicado conjunto invulgar, Reino Unido, França e Alemanha manifestaram na quarta-feira preocupação com a operação chinesa, considerando que representa uma ameaça à estabilidade regional, à liberdade de navegação e à segurança do transporte marítimo internacional.

Também um porta-voz do Instituto Americano em Taiwan (AIT), representação de facto dos Estados Unidos na ilha, afirmou que a tentativa de Pequim de reclamar jurisdição sobre águas administradas por Taipé "de forma pacífica" há mais de sete décadas "apenas aumentará as tensões e comprometerá a resolução pacífica das diferenças que a própria China diz procurar", segundo declarações citadas pelo jornal Taipei Times.

No mesmo sentido, o Conselho para os Assuntos Oceânicos de Taiwan, organismo responsável pela supervisão da Guarda Costeira, sublinhou que a liberdade de navegação e a segurança do transporte marítimo no Estreito de Taiwan são essenciais para o comércio mundial.

"A ordem internacional nas águas que rodeiam Taiwan nunca foi uma questão que diga respeito apenas a Taiwan, mas sim à comunidade internacional", afirmou o organismo.

Pequim considera Taiwan uma "parte inalienável" do território chinês e não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha. O Governo taiwanês rejeita essa posição e sustenta que apenas os 23 milhões de habitantes de Taiwan podem decidir o seu futuro político.

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