Taiwan alarga fontes de informação com plataforma destinada a cidadãos chineses

Taiwan alarga fontes de informação com plataforma destinada a cidadãos chineses

Taiwan anunciou hoje a criação de uma plataforma destinada a cidadãos chineses com o objetivo de alargar as fontes de informação sobre a China, numa iniciativa inspirada em práticas de agências de outros países.

Lusa /

O Gabinete de Segurança Nacional taiwanês indicou, em comunicado, que criou um "canal de contacto para cidadãos chineses", que vai permitir a pessoas localizadas dentro e fora da China enviar informações políticas, militares, económicas e sociais através de um `site` específico.

O organismo salientou que a iniciativa se inspira nas práticas das agências de inteligência dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Israel e tem como objetivo diversificar as fontes de informação sobre a China.

O organismo disse que a conceção da plataforma presta especial atenção à segurança e proteção da identidade dos utilizadores, tendo em conta o nível de vigilância na Internet na China e os riscos de cibersegurança associados a determinados dispositivos, escreveu a agência de notícias espanhola EFE.

Entre as recomendações incluídas na página figuram a utilização de telemóveis ou `tablets` de marcas estrangeiras, a reposição das configurações de fábrica dos dispositivos, a ligação a redes wi-fi que não exijam registo com o nome real e a utilização de redes privadas virtuais (VPN) e navegadores desenvolvidos por empresas ocidentais.

O gabinete indicou ainda que a informação recebida será submetida a um processo de avaliação e verificação por equipas especializadas, antes de se iniciar qualquer contacto posterior com quem a tenha fornecido.

A entidade afirmou que, nos últimos anos, um número crescente de cidadãos chineses tem contactado as autoridades taiwanesas com a intenção de fornecer informações, e manifestou a intenção de continuar a aperfeiçoar as atividades de inteligência em função da evolução da situação internacional e da China.

A criação desta plataforma ocorre num contexto de crescente atenção em Taiwan às atividades de espionagem e alegada infiltração ligadas à China.

Nos últimos meses, as autoridades da ilha processaram e condenaram vários militares e civis acusados de recolher informações sensíveis para Pequim, enquanto o Presidente taiwanês, William Lai Ching-te, definiu a China como uma "força externa hostil" e impulsionou novas medidas para contrariar essas atividades.

Pequim considera Taiwan parte integrante do território chinês e não exclui o recurso à força para alcançar a "reunificação", enquanto o Governo de Taipé rejeita as reivindicações de soberania da China e defende que apenas os 23 milhões de habitantes da ilha podem decidir o seu futuro.

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