Taiwan bloqueia plataforma chinesa de emprego para jovens por riscos de segurança
Taiwan bloqueou uma plataforma chinesa que promovia oportunidades educativas e de emprego na China para jovens taiwaneses, alegando violações da lei e riscos para os dados pessoais.
Numa conferência de imprensa em Taipé, na quinta-feira, o vice-presidente e porta-voz do Conselho para os Assuntos do Continente (MAC, na sigla em inglês), Liang Wen-chieh, afirmou que o Governo taiwanês tomou medidas para bloquear a plataforma "Taiwan Youth e-Home" gerida pela China.
O anúncio surgiu um dia depois de o presidente do MAC, Chiu Chui-cheng, ter declarado que o Governo iria procurar a remoção ou o bloqueio da plataforma.
"A plataforma exige que os utilizadores forneçam informações pessoais, permitindo-lhe recolher dados sobre os jovens taiwaneses", afirmou Liang. "Acreditamos que isso representa um risco extremamente elevado."
O MAC já tinha alertado anteriormente para a possibilidade de as autoridades chinesas utilizarem os dados recolhidos através da plataforma para outros fins ou para exercer pressão sobre os jovens de Taiwan.
Liang assinalou que o conteúdo da plataforma violava a Lei de Supervisão de Acordos Transfronteiriços, que regula, respetivamente, o recrutamento para instituições de ensino chinesas, a ocupação de cargos por taiwaneses em determinadas organizações partidárias ou políticas chinesas e as atividades publicitárias que envolvam bens e serviços chineses.
O MAC clarificou posteriormente que a plataforma fazia publicidade a estágios com a Liga da Juventude Comunista da China, uma organização de juventude sob a liderança do Partido Comunista Chinês que funciona como "força assistente e de reserva" do partido.
A "Taiwan Youth e-Home" foi lançada a 15 de julho com o objetivo declarado de apoiar o "desenvolvimento integrado" dos jovens de ambos os lados do estreito de Taiwan, segundo o Gabinete de Assuntos de Taiwan (TAO, na sigla em inglês) da China.
A plataforma abrange estágios, emprego, intercâmbios e educação, permitindo aos utilizadores taiwaneses procurar vagas e submeter candidaturas `online`.
O porta-voz do TAO, Chen Binhua, rejeitou as alegações da parte de Taiwan como "difamações deliberadas".
"Existe alguma plataforma de procura de emprego `online` na região de Taiwan que não exija que os utilizadores forneçam os seus nomes ou submetam currículos?", questionou Chen.
Chen afirmou que quase 2.000 empresas se tinham juntado à plataforma e publicado cerca de 6.000 vagas, acrescentando que esta seguia um princípio de "mínimo necessário" na recolha de informações e protegia os dados pessoais dos candidatos a emprego nos termos da lei.
Atualmente, não existem informações públicas disponíveis sobre quantos jovens taiwaneses garantiram estágios, empregos ou outras oportunidades na China através da plataforma.
As declarações surgem numa altura de crescente tensão entre Taiwan e a China, que considera a ilha, governada autonomamente desde 1949, uma "parte inalienável" do seu território e não exclui o recurso à força para assumir o seu controlo.