Taiwan diz que vendas de armas dos EUA continuam em curso após ter obtido "garantias"
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo, afirmou hoje que Taipé obteve "garantias" dos Estados Unidos sobre a autorização de novas vendas de armamento, apesar do possível encontro entre líderes dos EUA e da China para breve.
"O ministério da Defesa mantém uma comunicação estreita com a Agência de Cooperação em Segurança de Defesa dos Estados Unidos [o organismo responsável pela gestão das vendas de armas ao exterior] sobre os projetos, quantidades, montantes e prazos que seriam oferecidos a Taiwan", afirmou Koo, citado pela agência de notícias CNA.
"O assunto continua em análise interna e não foi recebida qualquer notificação de atraso", acrescentou o ministro, que não forneceu detalhes sobre o tipo de armamento envolvido nem sobre o custo total da operação.
Estas declarações ocorreram um dia após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado que viajará para a China nos próximos dias 14 e 15 de maio para se reunir com o seu homólogo, Xi Jinping, uma visita que tinha previsto realizar no final de março, mas que foi adiada devido à guerra no Irão.
Entre os temas que poderão ser abordados nesse encontro está, precisamente, a venda de armamento a Taipé. Numa chamada telefónica no início de fevereiro, Xi instou Trump a "agir com prudência" no envio de armas para Taiwan, e sublinhou que a ilha é a "primeira linha vermelha" nas relações entre ambas as potências.
O Wall Street Journal informou, citando funcionários norte-americanos, que Washington suspendeu a aprovação de um importante pacote de armas para Taiwan por receio de que a operação pudesse pôr em risco a realização da cimeira entre Trump e Xi.
O Governo dos Estados Unidos notificou em dezembro o Congresso sobre oito possíveis vendas de armamento a Taipé, avaliadas em cerca de 11,1 mil milhões de dólares (cerca de 9,5 mil milhões de euros), o maior pacote de armas adquirido pela ilha até à data.
As autoridades de Pequim consideram Taiwan "parte inalienável" do território chinês e não descartam o uso da força para assumir o seu controlo, uma postura rejeitada pelo Executivo taiwanês, que defende que apenas os 23 milhões de habitantes da ilha têm o direito de decidir o seu futuro político.
Há mais de sete décadas que os EUA se encontram no meio das disputas entre ambas as partes, uma vez que Washington é o principal fornecedor de armas a Taipé e, embora não mantenha laços diplomáticos com este território, poderia defendê-lo em caso de conflito com Pequim.