Em direto
50 anos da Constituição da República. Parlamento assinala data com sessão solene

Temas regionais, como relação "anómala" com Cuba, dominam encontro de Lula e Obama, diz MNE brasileiro

Temas regionais, como relação "anómala" com Cuba, dominam encontro de Lula e Obama, diz MNE brasileiro

Brasília, 11 Mar (Lusa) - O ministro brasileiro das Relações Exteriores disse hoje que haverá uma grande ênfase em temas regionais no encontro entre os Presidentes Lula da Silva e Barack Obama, no sábado, em Washington, e considerou como "anómala" a relação dos Estados Unidos com Cuba.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"O Presidente Lula dará a sua visão, mas não foi eleito porta-voz da região. Com modéstia e humildade, queremos ajudar que o Presidente Obama olhe para cá com a óptica certa, e esta tem que levar em conta os processos de mudança na América Latina e nas Caraíbas", destacou Celso Amorim hoje aos jornalistas.

Segundo o ministro, Lula da Silva deve enfatizar a importância de uma compreensão quanto aos anseios por mudanças sociais na região, que se reflectem em mudanças políticas, e a necessidade de uma visão que considere a diversidade da América Latina.

Amorim admitiu ser "inevitável" tratar de Cuba, que desde 1962 sofre com o embargo económico imposto pelos Estados Unidos.

"Não há dúvida de que a relação dos Estados Unidos com Cuba é anómala em relação ao resto do continente", salientou, destacando, contudo, que o Brasil não tem um mandato do Governo cubano para discutir a questão.

Para o Governo brasileiro, não há mais razão para que o bloqueio norte-americano seja mantido.

De acordo com Amorim, o Presidente Lula vai transmitir a Obama que "é difícil viver em prosperidade se os seus vizinhos não têm prosperidade".

Neste contexto, o Brasil vai defender também, entre outras medidas, que é preciso evitar medidas proteccionistas e concluir a Ronda de Doha "sem fazer exigências excessivas".

Em relação à Venezuela, cujo Presidente Hugo Chávez autorizou Lula da Silva a falar sobre seu país com Obama, a mensagem que será levada aos EUA é de "diálogo e compreensão".

"O Presidente Obama já demonstrou ter uma visão aberta e favorável ao diálogo. Às vezes, os ventos da mudança demoram a chegar nos andares mais baixos da burocracia", referiu Amorim.

Outros temas do encontro presidencial citados por Amorim são a parceria na área de biocombustíveis, a crise financeira e económica, a busca de posições acertadas para a reunião do G20 ( grupo dos países mais desenvolvidos e emergentes) no início de Abril, em Londres, e a governação global.

O ministro não acredita, contudo, que os dois presidentes entrem em detalhes sobre a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, para o qual o Brasil reivindica um assento permanente.

"Mas o Brasil tomou em boa nota a declaração feita pelos Estados Unidos na ONU no sentido de que queriam participar activamente e cooperativamente pela reforma do Conselho de Segurança e, pela primeira vez, sem fazer vínculos a outras reformas", acrescentou Amorim.

CMC.

Lusa/Fim

Tópicos
PUB