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Tempo está a esgotar-se para 50 mil pessoas desaparecidas na Venezuela, aumenta a indignação dos familiares
O prazo de 72 horas, crucial para localizar sobreviventes na sequência dos dois sismos na Venezuela, já terminou, tendo sido resgatadas cerca de 40 pessoas que se encontravam soterradas. A indignação vai aumentando entre os familiares dos desaparecidos.
"De que servem as armas? Pega numa pá e ajuda o teu país", grita um pai à procura dos dois filhos a um soldado que patrulha na cidade de La Guaira, "cujo acesso está proibido" pelo Governo até mesmo aos voluntários que insistiam que ainda se ouviam vozes a sair dos edifícios destruídos.
"Sabemos que estão mortos, mas não os deixaremos sem sepultura". Este pai afirma que não se irá embora até que os seus filhos sejam resgatados dos escombros. Os "milagres" são raros, embora, 78 horas após o terramoto mortal, um bebé e duas mulheres tenham sido resgatados com vida na cidade de La Guaira.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confrontada com a indignação pública não só pela falta de equipamento de resgate, mas também pelos cuidados médicos prestados às pessoas afetadas, limitou-se a manifestar a sua gratidão pela solidariedade internacional.
Ao mesmo tempo, a agência da ONU para as migrações alerta que até 6,76 milhões de pessoas irão necessitar de abrigo, água, saneamento, cuidados de saúde e bens de primeira necessidade.
Dezenas de milhares de vítimas do terramoto continuam nas listas de pessoas desaparecidas, enquanto as autoridades confirmaram, até ao momento, pelo menos 1.450 mortos.
Residentes rezam durante uma cerimónia realizada no âmbito do Dia Nacional de Oração pelas vítimas do terramoto em Valência, no estado de Carabobo, na Venezuela. Jacinto Oliveros / AFP
Vinte e quatro países enviaram 521 toneladas de ajuda humanitária, 86 equipas com cães treinados para localizar pessoas presas sob os escombros e mais de 2.700 elementos de equipas de busca e salvamento.
Os Estados Unidos anunciaram neste sábado que uma pista do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que serve a capital, Caracas, estava parcialmente operacional para receber aeronaves militares norte-americanas, enquanto um navio de guerra tinha chegado à costa.
ERTNews / 29 junho 2026 09:05 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
ERTNews / 29 junho 2026 09:05 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP