Mundo
Terceira mulher acusa Kavanaugh de agressão sexual
Uma terceira mulher veio esta quarta-feira acusar Brett Kavanaugh, juiz conservador escolhido por Donald Trump para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, de conduta sexual imprópria e tentativa de violação durante os tempos de universidade. As alegações de Julie Swetnick, que afirma ter conhecido Kavanaugh e frequentado as mesmas festas durante os anos 1980, adensam as suspeitas sobre o juiz conservador e ameaçam baralhar uma confirmação que estava inicialmente marcada para o último dia 20 de setembro, há uma semana.
Através do seu advogado, Julie Swetnick junta-se a outras duas mulheres nas acusações a Brett Kavanaugh, que lançaram uma primeira onda de suspeitas sobre um juiz que se dizia impoluto na sua passagem pela universidade. Swetnick fala de comportamentos sexuais inapropriados e violação em grupo.
Nessa declaração, diz que “viu Kavanaugh a beber em excesso durante essas festas, tendo depois comportamentos abusivos e fisicamente agressivos em relação a raparigas, o que incluía agarrá-las contra si sem o seu consentimento, massajando-se nelas e procurando despi-las para expor partes privadas do seu corpo”.
A alegada vítima vai apresentar aos membros do Senado declarações sob juramento de quatro pessoas que corroboram as suas alegações. Os documentos terão já sido enviados pela equipa de advogados que representam Swetnick ao comité judicial do Senado, que deverá reunir-se esta quinta-feira para uma audição relativa às acusações contra o juiz e que antecede a votação da nomeação de Kavanaugh.
A confirmar-se, a nomeação segue depois para votação no pleno do Senado, onde os republicanos têm uma vantagem pela margem mínima (51-49), o que poderá acontecer já na terça-feira da próxima semana.
Terceira mulher a acusar Kavanaugh
Julie Swetnick, uma mulher de 55 anos residente em Washington DC, vem agora a público como a terceira alegada vítima de Brett Kavanaugh, juiz conservador com posições radicais face a assuntos como a homossexualidade, mantendo uma forte oposição ao aborto e a defesa da venda e uso de armas.
Através do seu advogado, Michael Avenatti, Swetnick explica que conheceu Kavanaugh e o seu amigo de escola, Mark Judge, no início dos anos 80, tendo andado nessa altura pelas mesmas festas.
Mais grave é a acusação de que presenciou em várias festas o envolvimento de Kavanaugh e do seu amigo Mark Judge em violações em grupo: “Assisti a cenas em que Mark Judge, Brett Kavanaugh e outros levaram raparigas a ficar inebriadas e desorientadas para que, então, fossem violadas em grupo num compartimento à parte por rapazes que se punham em fila …”.
“Por volta de 1982, fui eu que me tornei numa vítima dessas violações em grupo na qual estavam presentes Mark Judge e Brett Kavanaugh. Pouco depois do incidente, partilhei o que aconteceu com pelo menos duas pessoas. Durante esse incidente, eu fui incapacitada sem o meu consentimento e fiquei incapaz de repelir os rapazes que me violaram. Penso que fui drogada com recurso a Quaaludes (droga sedativa e hipnótica depressora do sistema nervoso central usada em comprimidos para dormir na década de 1970) ou qualquer coisa parecida colocada na minha bebida”, declara Julie Swetnick.
Swetnick acusa portanto implicitamente aquele que é a escolha do presidente Trump para fechar a equipa de juízes do Supremo e que entretanto já rejeitara as acusações das duas anteriores mulheres que o envolveram em condutas sexuais mais do que duvidosas.
Quem é Julie Swetnick
O depoimento de Julie Swetnick é claro quanto a datas e a factos: “Fui a muito mais de uma dezena de festas em Washington DC durante os anos que vão de 1981 a 1983 e onde estavam também Mark Judge e Brett Kavanaugh”.
É nestas circunstâncias que Swetnick repudia o que considera uma falsa imagem que tem sido propagandeada pelo próprio juiz na tentativa de afastar estas acusações: “Vi a recente argumentação de Brett Kavanaugh na Fox News em relação á sua alegada “inocência” e ausência de actividade sexual durante os seus anos de universidade. Esta reivindicação é uma falsidade absoluta e uma mentira. Eu vi Brett Kavanaugh constantemente envolvido em excessos alcoólicos e contactos inapropriados de natureza sexual com mulheres no início dos 80.
Julie Swetnick, de 55 anos, está, segundo o The Guardian, registada desde 2009 como proprietária da empresa International Building Solutions em Bethesda, Maryland.
De acordo com a própria, Swetnick formou-se na Universidade de Gaithersburg (Gaithersburg, Maryland) e tem neste momento uma relação profissional com entidades oficiais, que lhe garantem um acesso especial ao Governo federal e departamentos da Administração norte-americana.
A terceira pessoa no quarto
Swetnick garante ter conhecido Kavanaugh e o seu amigo Mark Judge, que a primeira acusadora do juiz, Christine Blasey Ford, afirma que era a terceira pessoa no quarto quando – segundo alega – o escolhido de Trump para o Supremo tentou violá-la nos tempos em que frequentavam o secundário.
“Não tenho qualquer dúvida de que Mark Judge tem informação muito importante em relação à conduta de Brett Kavanaugh durante a década de 1980, em especial relativamente ao seu comportamento com as mulheres”, declara Julie Swetnick.
Desde que saíram estas acusações contra Kavanaugh, Mark Judge tudo fez para desaparecer de cena.