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Tillerson diz que nunca duvidou da "capacidade mental" de Donald Trump

Tillerson diz que nunca duvidou da "capacidade mental" de Donald Trump

Washington, 05 jan (Lusa) -- O chefe da diplomacia norte-americana, Rex Tillerson, defendeu hoje publicamente a capacidade mental de Donald Trump, após a publicação de um livro polémico sobre os bastidores da Casa Branca já classificado como "falso" pelo Presidente.

Lusa /

O livro do jornalista Michael Wolff "Fire and Fury: Inside the Trump White House" (Fogo e Fúria: Dentro da Casa Branca de Trump) fez manchetes e alcançou o topo da lista de vendas da Amazon hoje, dia em que foi publicado, relançando o debate sobre a personalidade instável do dirigente da principal potência mundial.

"Nunca pus em causa a sua aptidão mental, não tenho qualquer razão para duvidar da sua capacidade mental", declarou Rex Tillerson, numa entrevista à estação televisiva CNN hoje transmitida.

"Ele não é como os presidentes anteriores, [e] também foi por essa razão que os americanos o escolheram, queriam uma mudança, e eu aprendi, ao longo do ano, a melhorar as minhas relações com o Presidente, a fim de lhe dar as informações de que ele precisa para tomar boas decisões", prosseguiu o secretário de Estado, que nunca negou pessoalmente ter chamado "imbecil" ao Presidente, em privado, no verão passado, embora a sua porta-voz o tenha feito.

Através de muitos testemunhos, na maioria anónimos e classificados pelo Presidente como fantasiosos, o autor do livro descreve um executivo disfuncional e um chefe de Estado alérgico à leitura, muitas vezes fechado nos seus aposentos a partir das 18:30, com os olhos cravados nos seus três ecrãs de televisão, multiplicando os telefonemas para um pequeno grupo de amigos, sobre quem verte "um dilúvio de recriminações" que vão desde a desonestidade da imprensa à falta de lealdade da sua equipa.

Todo o seu gabinete, segundo o autor, se interroga sobre a sua capacidade para governar, como declarou hoje numa entrevista concedida à televisão NBC.

"Dizem que ele é como uma criança. O que querem dizer é que ele precisa de ver imediatamente satisfeitos os seus pedidos. Tudo gira em torno dele", afirmou Michael Wolff.

"Ele é como uma esfera de `flipper`, dispara em todas as direções", acrescentou, contando como, por exemplo, Trump repete as mesmas histórias "três vezes em dez minutos", uma tendência também observada nas suas intervenções públicas.

Tais críticas a Donald Trump, de 71 anos, não são totalmente novas, mas o autor deste livro vem engrossar as fileiras onde já pontificavam, desde 2015 e 2016, a democrata Hillary Clinton e alguns republicanos.

Mais recentemente, o senador John McCain qualificou o septuagenário como "mal informado" e "impulsivo".

Por sua vez, o presidente da comissão de Negócios Estrangeiros do Senado, Bob Corker, comparou a Casa Branca a uma "creche para adultos". "Sei de fonte segura que todos os dias, na Casa Branca, o objetivo é detê-lo", declarou, em outubro passado.

Trump está furioso com a imprensa, que ele considera ser-lhe irremediavelmente hostil.

"Agora que se provou que o conluio com a Rússia é uma farsa completa e que a única conspiração existente foi entre Hillary Clinton e o FBI/Rússia, a imprensa `fake news` e este novo livro falso atacam em todas as frentes imagináveis. Eles deviam tentar ganhar uma eleição. Triste!", escreveu hoje o Presidente na rede social Twitter.

No Congresso, a questão do estado psicológico de Trump é cada vez menos um tabu: mais de uma dezena de representantes democratas (e um republicano) consultou em dezembro uma psiquiatra da Universidade de Yale que se interroga publicamente sobre a degradação mental do chefe de Estado.

"Risível", reagiu a porta-voz da Casa Branca.

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