Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês em Taiwan

Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês em Taiwan

As autoridades de Taiwan afirmaram na terça-feira que vão investigar qualquer suspeita de "repressão transnacional", após notícias avançarem que a agressão contra um comentador político japonês poderá ter envolvido membros de uma tríade de Hong Kong.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Akio Yaita (à esquerda) sofreu ferimentos no rosto após ter sido agredido e foi levado para o hospital. O agressor era um cidadão chinês de apelido Liao (à direita), titular de um passaporte de Hong Kong Foto: Rede Social X

As declarações surgem depois de a revista taiwanesa Mirror Media ter noticiado que o ataque teria sido orquestrado por elementos da organização criminosa Wo Shing Wo, sediada em Hong Kong, com o suspeito a receber instruções do estrangeiro.

Segundo a agência central taiwanesa CNA, a porta-voz da Presidência de Taiwan, Karen Kuo, disse que o caso continua sob investigação por procuradores e polícia.

"O Governo leva muito a sério qualquer repressão transnacional levada a cabo por grupos autoritários contra vozes dissidentes em todo o mundo", afirmou Kuo na terça-feira, acrescentando que as autoridades apoiam uma investigação completa e trabalham com países afins para combater crimes transfronteiriços.

"Taiwan, como sociedade democrática regida pelo Estado de direito, nunca tolerará que forças autoritárias estrangeiras utilizem gangues, violência ou intimidação para oprimir ou atacar quem valoriza a liberdade e a democracia", sublinhou.

Kuo acrescentou que todos os envolvidos serão investigados e processados de acordo com a lei, incluindo autores, mandantes e quem tenha fornecido informações ou apoio para facilitar tais crimes.

Yaita, o diretor executivo do Indo-Pacific Strategy Thinktank em Taipé, foi agredido no rosto por um homem de Hong Kong após uma palestra num hotel na cidade taiwanesa de Taichung, a 07 de julho.

O analista é natural do Japão, ex-jornalista e detentor da cidadania da República da China (Taiwan).

A polícia deteve o suspeito, de apelido Liu, nesse mesmo dia no aeroporto internacional de Taichung, quando tentava deixar Taiwan.

O Conselho para os Assuntos do Continente descreveu o caso como a primeira suspeita de repressão transnacional em Taiwan desde que a República Popular da China implementou, a 01 de julho, uma Lei de Promoção da Unidade Étnica e Progresso.

A legislação estabelece que a unidade étnica deve ser promovida por todos os órgãos governamentais e empresas privadas, incluindo governos locais e organizações afiliadas ao Estado, com a Amnistia Internacional a afirmar que poderá ser usado para justificar a repressão transnacional contra cidadãos e ativistas no exterior.

Os procuradores taiwaneses, contudo, não divulgaram provas que liguem a agressão à legislação ou a outras organizações.

Taiwan, uma democracia autogovernada reclamada por Pequim, mantém profundos laços culturais e históricos com a China.

Pequim considera o Governo do Partido Democrático Progressista (DPP) de Taiwan como "separatista" e cortou os contactos oficiais em 2016, após a reeleição da Presidente Tsai Ing-wen.

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