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Tribunal americano diz que museu de Madrid tem direito a manter obra roubada por nazis
Um tribunal norte-americano decidiu na última terça-feira que o Museu Thyssen-Bornemisza tem o direito a manter a obra de Camille Pissarro que se sabe ter sido roubada pelos nazis a uma família judia. A batalha jurídica que levou a uma decisão a favor do museu da capital espanhola tem décadas. A obra de Pissaro "Rue Saint-Honoré in the Afternoon, Effect on Rain" faz parte do impressionismo francês e data de 1897.
A decisão do tribunal da Califórnia foi unânime de que o museu espanhol podia manter a obra em exposição, apesar de uma das juízas ter dito que esperava que Espanha devolvesse voluntariamente o quadro.
O quadro passou por vários proprietários até ter sido comprado pelo barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza. Em 1993, uma fundação sem fins lucrativos em Espanha comprou toda a coleção do barão e criou um novo museu com o nome Thyssen-Bornemisza.
No ano 2000, o neto de Lilly Cassirer descobriu que o quadro de Camille Pissarro estava em exposição em Madrid. Espanha recusou entregar o quadro à família e iniciou-se uma batalha jurídica pela obra francesa cujo valor está estimado em 30 milhões de dólares.
O tribunal federal norte-americano levou em conta a lei espanhola que diz que a propriedade de um objeto é válida após seis anos de posse sem interrupções. Após esta decisão, a família Cassirer disse que vai apelar novamente e afirmou, em comunicado, que “os Cassirers acreditam, à luz da explosão de antissemitismo neste país [Espanha] e por todo o mundo, que têm de continuar a desafiar a insistência espanhola em manter arte roubada pelos nazis”.
A decisão norte-americana teve ecos positivos no país vizinho, com o diretor do museu Thyssen-Bornemisza a falar em “boas notícias” vindas dos Estados Unidos. “A boa fé na aquisição deste trabalho por esta instituição é algo que foi demonstrado desde o primeiro momento”, disse Evelio Acevedo.
De acordo com o Guardian, o quadro fez parte da família Cassirer, que viveu em Munique e Berlim até 1939, altura em que a II Grande Guerra começou.
Com a opressão nazi a crescer contra judeus, um dos membros da família usou o quadro como método de pagamento para conseguir vistos para sair da Alemanha. Depois do fim da guerra, Lilly Cassirer Nuebauer lançou-se numa procura pelo quadro, tendo sido indemnizada em 1958 pelo Estado alemão.
O quadro passou por vários proprietários até ter sido comprado pelo barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza. Em 1993, uma fundação sem fins lucrativos em Espanha comprou toda a coleção do barão e criou um novo museu com o nome Thyssen-Bornemisza.
No ano 2000, o neto de Lilly Cassirer descobriu que o quadro de Camille Pissarro estava em exposição em Madrid. Espanha recusou entregar o quadro à família e iniciou-se uma batalha jurídica pela obra francesa cujo valor está estimado em 30 milhões de dólares.
O tribunal federal norte-americano levou em conta a lei espanhola que diz que a propriedade de um objeto é válida após seis anos de posse sem interrupções. Após esta decisão, a família Cassirer disse que vai apelar novamente e afirmou, em comunicado, que “os Cassirers acreditam, à luz da explosão de antissemitismo neste país [Espanha] e por todo o mundo, que têm de continuar a desafiar a insistência espanhola em manter arte roubada pelos nazis”.
A decisão norte-americana teve ecos positivos no país vizinho, com o diretor do museu Thyssen-Bornemisza a falar em “boas notícias” vindas dos Estados Unidos. “A boa fé na aquisição deste trabalho por esta instituição é algo que foi demonstrado desde o primeiro momento”, disse Evelio Acevedo.