Tribunal iliba homem que decapitou passageiro num autocarro no Canadá
Winnipeg, Canadá, 06 Mar (Lusa) - O homem que decapitou e matou um passageiro numa viagem de um autocarro da "Greyhound" no Verão passado na província canadiana do Manitoba, foi considerado como "inimputável criminalmente".
Na leitura da sentença realizada na quinta-feira, o Tribunal de Manitoba isentou o homicida, Vince Li, de culpa no crime cometido por concluir que ele sofre de perturbações psíquicas.
Apesar de classificar o crime como um "acto grotesco horrendo", o juiz considerou que este indicia "perturbações mentais", acrescentando que Li não teve consciência de que o "acto que cometeu foi errado".
Li declarou-se "inocente" do homicídio de que foi acusado.
Livre da prisão, Vince Li irá, contudo, ser internado num estabelecimento psiquiátrico provincial, onde será acompanhado, podendo uma comissão determinar a sua saída se concluir que ele não representa perigo.
Este caso remonta a 30 de Julho passado quando Vince Li, um imigrante chinês de 40 anos e cidadão canadiando desde 2007, entrou num autocarro da companhia "Greyhound", que fazia o trajecto entre as cidades de Edmonton (província de Alberta) e Winnipeg (Manitoba), e se sentou ao lado de Tim McLean, de 22 anos de idade, após este lhe dirigir um sorriso e uma curta saudação.
Não demorou até que Li começasse a esfaquear brutalmente Mclean dezenas de vezes, mutilando-o e cortando-lhe a cabeça que depois exibiu dentro do autocarro.
Li foi detido pelas forças policiais após tentar fugir do veículo onde ficou fechado.
A investigação concluiu ainda que Li terá digerido partes do corpo de McLean - como os olhos que nunca foram encontrados - e esquartejou o cadáver, guardando alguns pedaços nos bolsos.
De acordo com especialistas psiquiatras ouvidos durante o julgamento, Li sofre de esquizofrenia e no momento em que praticou o homicídio teve um grave ataque psicótico.
Segundo os médicos, no momento do crime Li ouviu vozes de Deus a ordenar-lhe que matasse McLean por ele ser diabólico, justificando depois a mutilação do cadáver por recear que voltasse à vida e se vingasse.
Face à decisão judicial, a família da vítima manifestou decepção e anunciou se iria manter vigilante com vista a nunca deixar que Li seja libertado.
"Ele [Vince Li] fê-lo", reiterou a mãe de Tim McLean aos jornalistas no final do julgamento.
"Se estava bem ou mal mentalmente, ele perpetuou o acto. Não houve mais ninguém naquele autocarro com uma faca a esquartejar o meu filho. Só uma pessoa o fez", frisou Carol deDelley.
EF.
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