Trilho de pegadas humanas encontrado no País de Gales tem 7 mil anos

Trilho de pegadas humanas encontrado no País de Gales tem 7 mil anos

As pegadas deixadas por pés humanos em rochas costeiras do País de Gales, Reino Unido, foram descobertas em 2014. Na altura teorizou-se que datariam da Idade do Bronze.

Graça Andrade Ramos - RTP /
O trilho de pegadas deixado por seres humanos e por animais parece indicar uma caçada de há sete mil anos no que é actualmente uma zona costeira do sul do País de Gales. DR

Análises de radiocarbono realizadas pela estudante de doutoramento em Arqueologia, Rhiannon Philp, da Universidade de Cardiff, revelaram agora que são três mil anos mais velhas.

O trilho inclui pegadas tanto de adultos como de crianças e encontra-se em Port Aynon, na Península de Gower, na Gales do Sul. Os analistas admitem que pode ser o último vestígio de uma caçada do Mesolítico, período em que os seres humanos eram sobretudo caçadores-recolectores.

"Estas pegadas ‘congeladas' feitas em terra pantanosa dão-nos um vislumbre de um grupo de adultos e crianças a andar juntos há sete milénios", referiu Rhiannon Philp.

"Mas a imagem é ainda mais precisa. Pegadas de animais sugerem veados ou javalis a caminharem na mesma direção. O que podemos estar a ver, sete mil anos depois, é a captura do momento em que um grupo de caçadores do Mesolítico segue a sua presa, numa paisagem pantanosa agora perdida para as ondas", sugere a investigadora da Faculdade de História, Arqueologia e Religião. O trilho de pegadas só pode agora ser visto durante a maré baixa.

Uma porta-voz da Universidade de Cardiff sublinha a raridade no Reino Unido de trilhos humanos datados após a última Idade do Gelo , com apenas nove locais referenciados em zonas de maré, a maioria dos quais no País de Gales.

A investigação de Philp, refere, ajuda a contextualizar e a recriar uma paisagem perdida devido à subida do nível do mar, reforçando a compreensão dos grupos humanos que viviam na área.

Philp vai ainda mais longe afirmando que "dada a fragilidade destes exemplares e as alterações climáticas na altura e agora, é incrivelmente importante obter o máximo possível de informações quando a oportunidade surge".

O estudo foi financiado pela Sociedade de Arqueologia de Cambria e pela Sociedade Gower e vai agora ser aprofundado.

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