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Trump compara relacionamento com Kim Jong-un à sedução em encontro amoroso

Trump compara relacionamento com Kim Jong-un à sedução em encontro amoroso

A revelação surge de uma gravação áudio de 2020 na posse do jornalista Bob Woodward. O ex-presidente Trump fala da relação com o ditador norte-coreano comparando-a a uma "química" num primeiro encontro com uma mulher, admitindo que se deixou levar pelo instinto para lidar com o dossier Coreia do Norte.

RTP /
Reuters

Entre 2016 e 2020, Bob Woodward entrevistou Trump numa série de encontros que deram origem a algumas revelações polémicas. O resultado desses encontros na Sala Oval sai agora em áudio-livro com oito horas das 20 entrevistas de Woodward ao então presidente norte-americano sob o nome de “Trump Tapes”.

Um dos temas quentes eram na altura as tentativas levadas a cabo por Trump para moderar a atitude belicista de Kim Jong-un e que resultaram em contactos entre os dois líderes na zona desmilitarizada entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.

Numa dessas conversas, Bob Woodward – jornalista que com Carl Bernstein trabalhou no caso Watergate, em 1972, levando ao afastamento de Richard Nixon da Presidência dos Estados Unidos – confrontou Trump com a posição da CIA face a Kim, que a agência via como “astuto mas, em última análise, estúpido”.

“Discordo”, responderia Trump, considerando que o líder norte-coreano era “astuto” e “muito inteligente”.

Face à insistência de Woodward acerca das razões para a agência deixar esta análise sobre Kim Jong-un, Trump respondeu que “eles não sabem. Não fazem ideia. Eu sou o único que sabe. Sou o único com quem ele consegue relacionar-se. Ele não vai lidar com mais ninguém”.

Nesse momento, acrescentaria a estas justificações a palavra “química”: “O conceito de química. Conheces alguém e tens uma boa química. Conheces uma mulher. Num segundo, sabes se vai acontecer alguma coisa ou não”.

À questão de Woodward se era esta a estratégia para sentar Kim à mesa [para negociar questões como a desnuclearização da Península Coreana, em Junho de 2018], o então presidente norte-americano respondeu que não: “Não. Foi projetado por uma razão qualquer, foi projetado. Quem sabe? Instintivamente. Digamos que foi apenas instinto”.

A aproximação de Trump em moldes pouco tradicionais ficaria bem explícita quando o líder da Administração referiu “as cartas bonitas” que recebeu de Kim Jong-un, dizendo então que “nos apaixonámos”.

“Gravações Trump”

O áudio-livro de Bob Woodward deve sair esta terça-feira com as gravações dos anos da Administração Trump (2016-2020). O jornalista considera que as conversas com o inquilino da Casa Branca nesses anos mostram um Trump “que faz da autoridade da Presidência um trunfo e que confia nos seus instintos como base para as grandes decisões”.

Estas características, sublinha o jornalista, surgem como uma marca de água na tomada de decisões do presidente, “uma abordagem única e impulsiva” na forma como tratou o dossier Kim Jong-un e da Coreia do Norte “que deixava a sua equipa de segurança profundamente preocupada e até mesmo traumatizada”.

A deferência com que Trump tratava líderes como Kim, Vladimir Putin, o presidente da Rússia, ou o líder turco Recep Tayyip Erdogan enquanto alienava aliados tradicionais nunca foram bem vistos nos Estados Unidos, dentro e fora da Administração.

Numa das gravações acentua-se este sentimento de sedução em relação aos mais poderosos do planeta quando Trump admite que “quanto mais duros e mesquinhos [os líderes mundiais], melhor me dou com eles”.
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