Trump diz que Putin deve participar na cimeira do G20 mas diz que vinda do russo é improvável

Trump diz que Putin deve participar na cimeira do G20 mas diz que vinda do russo é improvável

O Presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu a participação de Vladimir Putin na cimeira de líderes do G20 em Miami, em dezembro, embora considerando improvável a vinda do homólogo russo. 

Lusa /
Donald Trump na Casa Branca Will Oliver - EPA

Questionado na Casa Branca na quinta-feira sobre notícias acerca da participação russa na cimeira, Trump afirmou desconhecer qualquer convite oficial a Moscovo, mas defendeu que "seria muito útil" se Putin viesse.  

"Sou da opinião que devemos falar com todos", frisou Trump, invocando a necessidade de manter contactos com Moscovo para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia. 

"Quando vou a estas reuniões do G7, 90% das vezes estão a falar sobre a Rússia, e eu penso: `Porque é que os expulsaram?` Na minha opinião, teria sido melhor não os expulsar", adiantou. 

Considerando "muito estúpida" a decisão do ex-presidente norte-americano Barack Obama e do ex-primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau de excluírem Moscovo do formato G7+Rússia em 2014, após a invasão da Crimeia, Trump afirmou que Putin "se sentiu muito ofendido, e tem razão em sentir-se assim". 

Questionado sobre a possibilidade de o Presidente russo vir a Miami, Trump considerou improvável. 

"Para ser honesto, duvido que ele venha", disse. 

Um alto funcionário da Casa Branca confirmou na quinta-feira que os Estados Unidos vão convidar todos os membros do G20, incluindo a Rússia, para a cimeira do grupo em dezembro na Florida, após Moscovo anunciar o convite.   

"Ainda não foi emitido nenhum convite formal, mas todos os membros do G20 serão convidados a participar nas reuniões ministeriais e na cimeira de líderes", planeada para um `resort` de golfe pertencente à família do Presidente Donald Trump, disse a fonte à AFP, sob anonimato.  

Os Estados Unidos detêm este ano a presidência rotativa do G20, um fórum de cooperação económica entre as principais economias desenvolvidas e emergentes do mundo. 

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexander Pankin, citado pelas agências de notícias russas, indicou na quarta-feira que o seu país foi convidado a participar na cimeira "ao mais alto nível", estando por decidir a participação do próprio Presidente, Vladimir Putin.   

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu na quinta-feira a participação de Putin, que desde a invasão da Ucrânia em 2022 deixou de participar em cimeiras deste nível, mas que após o regresso de Donald Trump à Casa Branca em 2025 realizou uma cimeira de alto nível com o homólogo no estado norte-americano do Alasca. 

"Ainda não foi tomada nenhuma decisão nesse sentido (de participação de Putin), mas a Rússia participou em todas as cimeiras ao nível apropriado", afirmou Peskov na sua conferência de imprensa diária. 

"À medida que a cimeira se aproxima, será tomada uma decisão em relação ao formato da nossa participação", adiantou. 

Ao abrigo de um mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra relacionados com a ofensiva russa na Ucrânia, Vladimir Putin não compareceu na última cimeira do G20 em Joanesburgo, em novembro de 2025, tendo sido representado pelo seu conselheiro económico, Maxim Oreshkin. 

Os Estados Unidos não são membros do TPI, apesar de terem assinado o Estatuto de Roma em 2000 durante a presidência do democrata Bill Clinton. 

O Estatuto não foi submetido à ratificação pelo Senado e em maio de 2002, já com o republicano George W. Bush como Presidente, Washington retirou formalmente a sua assinatura e indicou que não pretendia ser membro do tribunal. 

O G20 (Grupo dos Vinte) é um fórum multilateral que reúne os governos e os governadores dos bancos centrais de 20 das maiores economias para discutir e coordenar a política económica e financeira mundial. 

O grupo tem como membros a União Europeia e países como os Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Índia, Brasil, Reino Unido, França, Canadá, Austrália, Rússia, África do Sul, entre outros. 

A União Africana foi também admitida como membro permanente em 2023. 

Juntos, os membros do G20 representam aproximadamente 85% do PIB global e 75% do comércio, além de dois terços da população mundial. 

Os membros reúnem-se anualmente, para além de manterem grupos de trabalho ao longo do ano, para abordar questões como o crescimento económico global, o comércio, o financiamento climático, o alívio da dívida, a política fiscal e a regulação financeira. 

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