Trump garante que não incentiva Taiwan a procurar independência da China
O Presidente norte-americano, Donald Trump, referiu na sexta-feira que não está a incentivar Taiwan a procurar a independência da China, garantindo que não deseja uma guerra com Pequim por causa deste tema.
"Não quero que ninguém se torne independente. E sabe que mais? Será que vamos viajar 15.300 quilómetros para travar uma guerra? Não quero isso", sublinhou o governante republicano em entrevista à estação Fox News, gravada durante a sua visita de dois dias a Pequim, onde se encontrou com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.
Trump adiantou que falaram sobre Taiwan "durante toda a noite" e sugeriu que, quando deixar a presidência dos EUA, Xi provavelmente tentará "tomar o controlo" da ilha.
"Agora, comigo, acho que não vão fazer nada enquanto eu estiver aqui. Quando já cá não estiver, acho que talvez o façam, para ser honesto", declarou o republicano.
Durante a sua visita de Estado à China, Xi e Trump concentraram a sua agenda em Taiwan, que o líder de Pequim identificou como a "questão mais importante" na relação entre os dois países.
Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, Xi Jinping terá avisado Trump de que a "má gestão" da questão pode levar a China e os Estados Unidos a um confronto ou mesmo a um ataque.
O Presidente chinês afirmou ainda que a "independência de Taiwan" e a paz no Estreito de Taiwan são incompatíveis, embora não haja qualquer indicação, nas declarações oficiais, de uma resposta direta de Trump aos alertas, após semanas de especulação sobre se Xi Jinping o pressionaria a limitar a venda de armas à ilha autogovernada, cuja soberania a China reivindica.
Donald Trump confirmou na sexta-feira ter discutido com Xi Jinping a eventual venda de armas norte-americanas a Taiwan, mas afastou a possibilidade de um conflito iminente.
O chefe de Estado norte-americano afirmou que ainda não tomou uma decisão sobre a venda de armamento a Taiwan, uma medida fortemente criticada por Pequim, acrescentando que deverá decidir "em breve".
"Não chegámos a nenhum compromisso", insistiu Trump, acrescentando que não existe atualmente um risco elevado de confronto militar em torno da ilha.
Trump recusou-se, porém, a esclarecer se os Estados Unidos defenderiam militarmente Taiwan em caso de conflito com a China.
"Isto é algo que só uma pessoa sabe: eu", disse Trump, revelando que Xi lhe colocou diretamente essa questão durante as conversações em Pequim.
"Ele perguntou-me, e eu disse que não falo sobre isso", referiu Trump.
As declarações foram feitas no final de uma visita oficial marcada por sinais de aproximação diplomática entre Washington e Pequim, num contexto de tensões comerciais, estratégicas e militares entre as duas maiores potências mundiais.
Há mais de sete décadas que os Estados Unidos são um ator central no contexto das disputas entre as Pequim e Taipé, sendo que Washington está legalmente comprometida a fornecer a Taiwan os meios necessários para a sua autodefesa e, embora não mantenha laços diplomáticos com a ilha, poderia defendê-la em caso de conflito com a China.
Pequim considera Taiwan uma província rebelde e uma "parte inalienável" do território chinês, pelo que não descartou o uso da força para assumir o controlo, algo que o Governo taiwanês condena veementemente.