Mundo
Turquia expulsa embaixador israelita um ano após o Mavi Marmara
Um dia após as Nações Unidas terem revelado o seu relatório sobre o ataque israelita contra a flotilha Mavi Marmara – que a 31 de maio de 2010 custou a vida a nove ativistas turcos –, a Turquia anunciou o corte das relações diplomáticas e militares com o estado de Israel. Ancara exige um pedido de desculpas que Telavive se nega a dar, tendo por isso dado ordem de expulsão ao embaixador israelita.
No último dia de maio do ano passado, a embarcação Mavi Marmara, com um contingente humanitário a bordo, procurava furar o bloqueio imposto pelas autoridades israelitas a Gaza desde 2006. Ainda em águas internacionais, a flotilha com ajuda humanitária foi intercetada na sua rota para a faixa de Gaza por forças israelitas que impediriam a chegada ao porto através do uso da força.
A operação resultou na morte de dez tripulantes (nove turcos e um turco-americano), tendo Telavive justificado a ação com "agressões" violentas de que terão sido alvo os primeiros militares israelitas envolvidos no assalto à embarcação.
Ontem, o diário norte-americano The New York Times divulgava as conclusões do relatório da ONU sobre este episódio: o Relatório Palmer considera que o bloqueio israelita foi uma ação legal, dando razão a Telavive quando sublinha que os militares enfrentaram "resistência organizada e violenta por parte de um grupo de passageiros". Ficam no entanto críticas a Israel por ter sido usada força "excessiva e não-razoável".
Chegou a hora de pagarem o seu preço
Hoje, dia da divulgação oficial do relatório das Nações Unidas, Ancara decidiu retaliar contra a insistente recusa de Israel de enviar um pedido de desculpas pelo incidente ocorrido há um ano com a flotilha Mavi Marmara. A meio da manhã, o ministro turco dos negócios Estrangeiros anunciou o corte de relações diplomáticas com o Estado israelita, e também assim o fim da cooperação militar que existia entre os dois países.
“Chegou a hora de Israel pagar um preço”, afirmou o ministro Ahmet Davutoglu, explicando que as relações entre Israel e a Turquia passariam a um nível meramente administrativo.
A investigação conduzida pelo antigo primeiro-ministro neozelandês chega com mais de meio ano de atraso, prazo durante o qual a equipa responsável pela redação do relatório promoveu tentativas de consenso entre Israel e Turquia. Um consenso que não chegou - fonte da ONU já veio afirmar que o relatório não é um "documento de consenso" - e um resultado agora tornado público que apenas agrada a Telavive.
"O resultado é que as ações israelitas foram legais. [o relatório] refere que o bloqueio naval era legal de acordo com o direito internacional", sublinhou em declarações à Reuters um alto funcionário do Executivo de Telavive, acrescentando que não é de somenos que o documento tenha confirmado o direito de Israel revistar embarcações em águas internacionais.
Telavive recusa pedido de desculpas
Há cerca de duas semanas, o general Yehuda Weinstein, procurador-geral israelita, chegou a aconselhar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a apresentar um pedido de desculpas – na altura para evitar o que antevia como a possibilidade de a investigação da ONU conduzir a uma acusação formal contra os operacionais israelitas envolvidos na morte dos ativistas -, mas o máximo que se ouviu do chefe do governo foi o seu lamento pelas mortes a bordo do Mavi Marmara. Israel defende que o bloqueio a Gaza evita o fornecimento de armas por mar ao Hamas e outras fações palestinianas extremistas
Uma iniciativa do ministro da Defesa, Ehud Barak, no mesmo sentido causou mal-estar no Executivo. Barak defendia que esse pedido de desculpas serviria para aliviar a tensão com a Turquia, tradicional aliada de Israel no mundo islâmico.
Netanyahu não deu ouvidos a estes apelos e terá sido uma jogada de força que agora colhe os seus frutos, dado que cai por terra a possibilidade de uma acusação formal com apoio da ONU contra os militares israelitas envolvidos no planeamento e execução da operação.
A operação resultou na morte de dez tripulantes (nove turcos e um turco-americano), tendo Telavive justificado a ação com "agressões" violentas de que terão sido alvo os primeiros militares israelitas envolvidos no assalto à embarcação.
Ontem, o diário norte-americano The New York Times divulgava as conclusões do relatório da ONU sobre este episódio: o Relatório Palmer considera que o bloqueio israelita foi uma ação legal, dando razão a Telavive quando sublinha que os militares enfrentaram "resistência organizada e violenta por parte de um grupo de passageiros". Ficam no entanto críticas a Israel por ter sido usada força "excessiva e não-razoável".
Chegou a hora de pagarem o seu preço
Hoje, dia da divulgação oficial do relatório das Nações Unidas, Ancara decidiu retaliar contra a insistente recusa de Israel de enviar um pedido de desculpas pelo incidente ocorrido há um ano com a flotilha Mavi Marmara. A meio da manhã, o ministro turco dos negócios Estrangeiros anunciou o corte de relações diplomáticas com o Estado israelita, e também assim o fim da cooperação militar que existia entre os dois países.
“Chegou a hora de Israel pagar um preço”, afirmou o ministro Ahmet Davutoglu, explicando que as relações entre Israel e a Turquia passariam a um nível meramente administrativo.
A investigação conduzida pelo antigo primeiro-ministro neozelandês chega com mais de meio ano de atraso, prazo durante o qual a equipa responsável pela redação do relatório promoveu tentativas de consenso entre Israel e Turquia. Um consenso que não chegou - fonte da ONU já veio afirmar que o relatório não é um "documento de consenso" - e um resultado agora tornado público que apenas agrada a Telavive.
"O resultado é que as ações israelitas foram legais. [o relatório] refere que o bloqueio naval era legal de acordo com o direito internacional", sublinhou em declarações à Reuters um alto funcionário do Executivo de Telavive, acrescentando que não é de somenos que o documento tenha confirmado o direito de Israel revistar embarcações em águas internacionais.
Telavive recusa pedido de desculpas
Há cerca de duas semanas, o general Yehuda Weinstein, procurador-geral israelita, chegou a aconselhar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a apresentar um pedido de desculpas – na altura para evitar o que antevia como a possibilidade de a investigação da ONU conduzir a uma acusação formal contra os operacionais israelitas envolvidos na morte dos ativistas -, mas o máximo que se ouviu do chefe do governo foi o seu lamento pelas mortes a bordo do Mavi Marmara. Israel defende que o bloqueio a Gaza evita o fornecimento de armas por mar ao Hamas e outras fações palestinianas extremistas
Uma iniciativa do ministro da Defesa, Ehud Barak, no mesmo sentido causou mal-estar no Executivo. Barak defendia que esse pedido de desculpas serviria para aliviar a tensão com a Turquia, tradicional aliada de Israel no mundo islâmico.
Netanyahu não deu ouvidos a estes apelos e terá sido uma jogada de força que agora colhe os seus frutos, dado que cai por terra a possibilidade de uma acusação formal com apoio da ONU contra os militares israelitas envolvidos no planeamento e execução da operação.