Turquia reafirma bloqueio a cipriotas-gregos
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco voltou a recusar abrir os portos e aeroportos à República de Chipre, enquanto a UE não cumprir a promessa de levantar o bloqueio à República Turca de Chipre do Norte (RTCN).
Segundo Ali Babacan - cumulativamente chefe da delegação que negoceia a adesão da Turquia à União Europeia (UE) desde 2005 -, "ninguém deverá esperar um passo unilateral" para o cumprimento do Protocolo de Ancara - a extensão do acordo aduaneiro, firmado em 1995 com a UE, aos 10 países entrados em 2004, nomeadamente a República de Chipre.
Babacan falava aos jornalistas na sua primeira visita à RTCN, auto-proclamada em 1983 na sequência da intervenção militar turca em Chipre (1974), para impedir a anexação da ilha à Grécia, como pretendiam golpistas ultra-nacionalistas cipriotas-gregos.
A RTCN está sob bloqueio internacional desde 1994, mas, na sequência do referendo a um plano do então secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annnan, para a reunificação insular e adesão como um todo à UE - "chumbado" pelos cipriotas-gregos, mas aprovado pela maioria dos cipriotas-turcos -, Bruxelas prometeu tirar do isolamento a RTCN.
A conferência de imprensa do chefe da diplomacia de Ancara foi dada em Lefkosha (parte cipriota-turca de Nicósia) conjuntamente com o líder local, Mehmet Talat.
Precisamente devido ao incumprimento sistemático do Protocolo de Ancara, a UE suspendeu, em Dezembro de 2006, oito dos 35 capítulos em negociação com a Turquia. Deste "pacote", só três capítulos foram até agora tratados.
Mesmo assim, a Turquia continua a não reconhecer a República de Chipre, com a qual está de relações cortadas há 33 anos.
Os dirigentes cipriotas, grego e turco, estão sob pressão da ONU para reatarem o diálogo pela paz, sem resultados até à data.