Ucrânia assiste a troca de acusações entre Presidente e primeira-ministra

Ucrânia assiste a troca de acusações entre Presidente e primeira-ministra

Na Ucrânia sobem de tom as trocas de palavras azedas entre a primeira-ministra, Iúlia Timochenko, e o Presidente Victor Iuschenko. Desta vez Iúlia acusa Victor de ter mentido ao país e de ter entrado em pânico e histeria ao sugerir alterações urgentes no Orçamento para 2009.

RTP /
Segue a "guerra" na Ucrânia entre a primeira-ministra e o o Presidente. Parlamento Europeu

Na Ucrânia continua sem ser pacífico o entendimento entre governo e presidência da República com os titulares dos cargos a manterem troca de palavras azedas tendo, desta vez, como tema o Orçamento para 2009.

A primeira-ministra, Iúlia Timochenko, veio agora acusar o Presidente Victor Iuschenko de ter mentido ao país e de ter entrado em pânico e histeria ao sugerir alterações urgentes no Orçamento para 2009.

"Há uma notícia triste para o Presidente e optimista para o país: não obstante a crise, o Orçamento do Estado foi mais do que cumprido em Janeiro, todos os salários dos funcionários públicos e reformas serão pagos", escreve a primeira-ministra num comunicado do Governo ucraniano.

Um comunicado que serve de resposta ao Presidente Victor Iuschenko que ontem responsabilizou a primeira-ministra da situação catastrófica na economia do país ao mesmo tempo que exigia alterações urgentes no Orçamento do estado para 2009.

O ataque do Presidente surgiu ontem numa mensagem via televisão em que Iuschenko exigia "em nome do país, do Governo e do Parlamento que preparem imediatamente um orçamento honesto, onde as despesas correspondam às possibilidades da economia".

Dizia ainda o Presidente que esse era "o dever constitucional, estatal e político" da primeira-ministra.

"Sublinho que, segundo a Constituição, a primeira-ministra Iúlia Timochenko é totalmente responsável pela situação económica, pela ruptura do processo orçamental, pela destruição do sistema bancário", acrescentou o chefe de Estado.

Iúlia Timochenko veio hoje refutar as acusações contrapondo com os êxitos da sua política referindo que "os salários dos funcionários públicos e as reformas continuarão a ser pagas a tempo e de forma completa" enquanto "o preço do gás para a população e para o aquecimento não aumentou".

A primeira-ministra esclareceu ainda que a empresa ucraniana Naftogaz fornece gás "a bom ritmo" aos consumidores ucranianos e à Europa e que "trabalha bem, pela primeira vez em muitos anos, sem intermediários e esquemas corruptos".

Uma resposta directa ao Presidente que acusara a primeira-ministra de ter assinado contratos sobre gás com a Rússia prejudiciais para o seu país, que obrigarão a Ucrânia a gastar mais dois mil milhões de euros em 2009.

"Para superar a crise, precisamos de consolidação política, de um cérebro frio e sensato, nervos de ferro, força de vontade, decisão e um profundo sentido de responsabilidade. Ou seja, tudo o que fez, faz e fará falta a Victor Andreevitch (Iuschenko)", refere o comunicado do Governo ucraniano.

Segundo a imprensa ucraniana, a primeira-ministra pretende, na próxima semana, realizar uma remodelação governamental com vista a afastar do executivo os ministros próximos do Presidente.

Mas as informações vão mais longe e colocam mesmo a possibilidade de a primeira-ministra criar uma ampla coligação no Parlamento ucraniano com vista a afastar Iuschenko do cargo de Presidente.
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