Ucrânia. Londres destina 230 milhões de euros para preparar futura força de paz

O Reino Unido vai mobilizar 200 milhões de libras (230 milhões de euros) para preparar as suas Forças Armadas para um futuro destacamento de uma força multinacional na Ucrânia, caso seja alcançado um cessar-fogo com a Rússia.

Lusa /

Este financiamento, proveniente do orçamento militar de 2026, "fornecerá novos veículos, sistemas de comunicação e capacidades de proteção contra `drones`, garantindo que as tropas britânicas estão prontas para o destacamento", referiu, em comunicado, Ministério da Defesa britânico.

Além disso, a produção de `drones` intercetores Octopus vai começar este mês no Reino Unido "para reforçar as defesas aéreas da Ucrânia", adianta.

O secretário da Defesa britânico, John Healey, esteve na sexta-feira em Kiev, onde tinha um encontro marcado com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Este anúncio faz parte da declaração de intenções assinada na terça-feira pelo Reino Unido e pela França, na qual ambos os países declararam a sua disponibilidade para enviar tropas para manter a paz em caso de cessar-fogo.

O primeiro-ministro Keir Starmer prometeu detalhar os contornos desta declaração de intenções "o mais rapidamente possível" e garantiu que o Parlamento teria de votar qualquer envio de tropas para a Ucrânia.

Este plano é rejeitado veementemente pela Rússia. Na quinta-feira, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, alertou que qualquer presença militar ocidental no país constituiria um "alvo legítimo" para Moscovo.

Entretanto, o governo trabalhista de Keir Starmer reiterou o seu compromisso de manter os investimentos na Defesa, após notícias de um défice de 28 mil milhões de libras (32 mil milhões de euros) no orçamento setorial.

Um porta-voz do primeiro-ministro indicou na sexta-feira que o Governo estava ciente de que "as exigências de defesa estão a aumentar com a crescente agressão da Rússia".

De acordo com Downing Street, o Governo planeou "o maior aumento das despesas com a Defesa desde a Guerra Fria, totalizando 270 mil milhões de libras (311 mil milhões de euros) apenas para esta legislatura".

Londres comprometeu-se a aumentar as suas despesas com a Defesa para 3,5% do PIB até 2035, em linha com a meta da NATO.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.    

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

Tópicos
PUB