Ucrânia. Minas russas dificultam a progressão dos blindados ocidentais

Ucrânia. Minas russas dificultam a progressão dos blindados ocidentais

A estratégia defensiva de Moscovo em solo ucraniano, com campos de minas sobrepostas, está a travar e a danificar o equipamento bélico ocidental usado pelas tropas de Kiev. Os russos têm demonstrado "qualidades profissionais", reconhece um general ucraniano. Um outro soldado diz que há mais feridos por minas do que por artilharia: "Quando avançamos, encontramos campos minados por toda parte".

Carla Quirino - RTP / Adicionar como fonte informativa
Imagem divulgada por Moscovo de tanques alegadamente destruídos por ação russa Ministério da Defesa da Rússia

A BBC fez uma visita a uma oficina militar ucraniana perto de uma zona de combate e encontrou uma dúzia de tanques a serem reparados.

A maioria são veículos de combate Bradley, mas também há tanques Leopard danificados. Apresentam as lagartas partidas ou empenadas. Os sinais são indicadores de que terão pisado minas russas.Os engenheiros da oficina estão a tentar reparar os carros blindados mas alguns já só servem para fornecer peças sobresselentes.

"Quanto mais rápido pudermos consertá-los, mais rápido poderemos levá-los de volta à linha da frente para salvar a vida de alguém", afirma Serhii, um dos engenheiros. No limite, acrescenta, servem para “retirar peças para reparar outros tanques ou " serão devolvidos aos parceiros para serem reconstruídos”.

A blindagem ocidental forneceu às tropas de Kiev melhor proteção, mas não foi eficaz para abrir brechas nas fileiras de minas russas.

Minas sobre minas
Os campos minados estão a representar uma das maiores barreiras para o avanço da Ucrânia.

É relatado pela estação britânica que, na frente sul, há veículos blindados Mastiff fornecidos pelo Reino Unido. Os tanques terão sido danificados ou mesmo destruídos por minas russas.


Uma das muitas minas antitanque é encontrada na vila de Neskuchne, recentemente recuperada pelas Forças Armadas da Ucrânia, perto de uma das linha da frente de combate na região de Donetsk, Ucrânia, 8 de julho | Sofiia Gatilova - Reuters

A 47ª Brigada resolveu reutilizar tanques mais antigos da era soviética para limpar os campos minados.

Maksym, um dos militares que opera blindados, testemunhou que o veículo T-64 foi equipado com dois rolos na frente para detonar deliberadamente as minas, mas “perdeu um dos rolos na noite anterior enquanto tentava abrir caminho para as tropas”.

"Normalmente os nossos rolos suportam até quatro explosões", explica. “Mas os russos têm colocado minas, umas sobre as outras, para destruir os equipamentos de remoção de minas”.

Maksym acrescenta que "É muito difícil porque há muitas minas. Muitas vezes há mais de quatro fileiras de campos minados na frente das linhas defensivas russas”.

Uma nova arma
Um outro militar piloto de drones ucranianos, conhecido por Doc, conta que pela “primeira vez na guerra os soldados estão a ser mais feridos por minas do que por artilharia. Quando avançamos, encontramos campos minados por toda parte”.

Num dos episódios relatado por Doc, um drone gravou uma grande explosão, vitimando tropas ucranianas junto a uma trincheira russa.

Doc argumenta que as forças russas estão a usar minas controladas remotamente: "Quando nossos soldados chegam às trincheiras, eles apertam um botão fazendo a carga explodir, matando os nossos amigos".

Acrescenta que esta estratégia está a ser usada nas últimas duas semanas. Doc descreve-a como "uma nova arma".
“Não subestimo o inimigo”
O general Oleksandr Tarnavsky, responsável pela contraofensiva ucraniana, reconhece que os russos tem revelado "qualidades profissionais", ao impedir que as forças ucranianas "avancem rapidamente".

“Não subestimo o inimigo” afirma.

Porém, sublinha que "qualquer defesa pode ser quebrada, mas é preciso ter tempo, paciência e ações hábeis".

Tarnavsky defende que Ucrânia está “lentamente a desgastar o seu inimigo”. Sublinha que a Rússia não se importa em perder homens, e as recentes mudanças na liderança militar "significam que nem tudo está bem". O general reitera que a Ucrânia “ainda não comprometeu a principal força de ataque”.

"Devagar ou não, a ofensiva está a acontecer e de certeza que vai atingir o seu objetivo"
, remata.
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