Ucrânia. No meio da guerra população ainda lida com a covid-19

Ucrânia. No meio da guerra população ainda lida com a covid-19

A Ucrânia foi invadida há 15 dias por tropas russas e tem vivido um sério problema humanitário. Mais de dois milhões de pessoas já fugiram para países vizinhos e a Organização Mundial de Saúde alertou para as condições precárias que vão ajudar a disseminação da covid-19 numa altura em que a Europa começa a levantar restrições no período pós-pandemia.

RTP /
Mais de dois milhões de ucranianos já fugiram do território atacado por tropas russas EPA

Sempre que há uma disrupção na sociedade como acontece com esta guerra e milhões estão e deslocar-se, as doenças infeciosas vão aproveitar esse factor. As pessoas estão juntas, estão stressadas, não comem e não dormem. Estão altamente suscetíveis aos impactos da doença e é muito provável que a covid se espalhe”, alertou o médico Mike Ryan, diretor da OMS.

Desde o início da invasão russa continuam a ser reportados novos casos de covid-19 na Ucrânia e os números preocupam. Numa conferência de imprensa, a médica Catherine Smallwood explicou que, apesar disso, os casos de covid na Ucrânia caíram de 111 mil para 40 mil, com 758 mortes a serem registadas.

É um problema que preocupada a Organização Mundial de Saúde (OMS), que alerta que o país é um dos menos vacinados na região. Apenas 34 em 100 pessoas receberam duas doses da vacina.

Com a invasão russa em curso, o tratamento da covid-19 não é uma prioridade, com a população ucraniana a tentar manter-se segura. “As pessoas não procuram tratamento porque receiam pela sua segurança. Os auxiliares de saúde e médicos não conseguem chegar a hospitais porque também eles se tentam proteger”, continuou Smallwood.

Nos últimos dias têm sido reportados cada vez mais ataques em zonas civis, infraestruturas de saúde incluídas. Mais de 16 relatos de ataques foram confirmados e outros tantos estão a ser investigados. A Ucrânia está a sofrer com problemas de oxigénio e a OMS enviou remessas para ajudar na situação.

No entanto, a OMS alertou que quanto menor for o oxigénio mais mortes por covid-19 vão acontecer, com os idosos a serem os mais afetados.

Com a chegada de refugiados a muitos países, as autoridades de saúde estão a pedir para que os refugiados sejam tratados e protegidos de doenças infeciosas como a covid-19.

Hans Kluge, da OMS, lembrou que a covid-19 está em declínio na Europa mas que a guerra pode estar prestes a mudar o cenário.

“É com muita dor que vejo a minha região a sair de dois anos de uma terrível pandemia para ser agora devastada pelo impacto militar de hostilidades que estão a afetar dezenas de milhões de pessoas na Ucrânia”, concluiu.
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