Ucrânia. ONU condena ataques contra instalações civis "onde quer que ocorram"
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou hoje quaisquer ataques contra civis e infraestrutura civil, "onde quer que ocorram", na sequência da ofensiva ucraniana em Lugansk que causou pelo menos seis mortos e 15 desaparecidos.
"Acompanhamos com preocupação as notícias do ataque ocorrido durante a noite contra um prédio universitário e um dormitório na cidade de Starobilsk, na região de Lugansk, na Ucrânia, sob ocupação temporária da Federação Russa, que resultou em múltiplas mortes e feridos, incluindo crianças", afirmou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.
"Condenamos veementemente quaisquer ataques contra civis e infraestrutura civil, onde quer que ocorram. Como o secretário-geral já destacou repetidamente, tais ataques são proibidos pelo direito internacional humanitário e devem cessar imediatamente", acrescentou, em declarações à imprensa.
Nesse sentido, a ONU exortou todos os envolvidos a absterem-se de ações que possam "agravar ainda mais a situação já perigosa".
Seis pessoas morreram e 15 estão desaparecidas após o ataque ucraniano a uma residência de estudantes na região de Lugansk, controlada por Moscovo, indicou hoje o Presidente russo, Vladimir Putin.
"Atualmente, sabemos de seis mortos e 15 desaparecidos", disse o líder do Kremlin durante uma reunião transmitida pela televisão, classificando o ataque no leste da Ucrânia ocupada como um ato terrorista.
As forças de Kiev atacaram a residência de estudantes do Colégio Pedagógico de Starobilsk "à noite, enquanto os estudantes dormiam", relatou Putin, indicando que o Ministério da Defesa vai preparar uma resposta ao ataque, que deixou também cerca de 40 feridos.
O Presidente russo afirmou que não existem instalações militares perto da residência.
"Ninguém pode dizer que estavam a tentar atingir outro alvo, mas os drones abatidos atingiram o edifício [da residência]", declarou.
Segundo as autoridades pró-russas em Lugansk, 86 jovens entre os 14 e os 18 anos estavam no interior da residência no momento do ataque.
As equipas de resgate continuavam a trabalhar no local para remover os escombros e resgatar sobreviventes.
Por sua vez, as forças ucranianas negaram ter visado instalações civis.
O Estado-Maior ucraniano declarou que as suas forças bombardearam um "quartel-general" de uma unidade militar russa na região da cidade de Starobilsk, no leste da Ucrânia ocupada.
"A Ucrânia realiza ataques contra infraestruturas militares e instalações utilizadas para fins militares, em estrita conformidade com as normas do direito internacional humanitário", acrescentaram as forças de Kiev numa mensagem publicada nas redes sociais.
Após o ataque, a Rússia pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que vai realizar-se hoje às 15:00 de Nova Iorque (20:00 em Lisboa).
A província de Lugansk é palco de um conflito armado desde os levantamentos pró-russos em 2014 na região do Donbass e encontra-se ocupada quase na totalidade por Moscovo no seguimento da invasão iniciada em fevereiro de 2022.