UE aloca mais 550 mil euros para resposta humanitária em Moçambique
A União Europeia (UE) anunciou hoje que alocou mais 550 mil euros para apoiar a resposta humanitária aos "desastres naturais sucessivos" em Moçambique, na atual época chuvosa, que já afetou mais de um milhão de pessoas.
"Este financiamento providenciará assistência vital a milhares de pessoas em situação de necessidade urgente", refere-se numa nota da Delegação da UE em Maputo, enviada à Lusa, sublinhando que "os efeitos devastadores de graves inundações continuam a fustigar o país", agravados pelo impacto do ciclone tropical Gezani.
Acrescenta-se que estes fundos, que se somam a outros apoios de emergência do bloco europeu a Moçambique, nesta época chuvosa, fazem parte da contribuição global da UE para o Fundo de Emergência para Resposta a Desastres (DREF) da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).
"Este financiamento da UE reforçará os esforços da Cruz Vermelha de Moçambique na entrega de ajuda essencial, incluindo abrigo de emergência, água potável, cuidados de saúde e apoio à higiene", lê-se ainda na mesma informação.
A UE recorda que desde o final de dezembro de 2025, "chuvas intensas e persistentes, combinadas com a subida do nível dos rios e o transbordo de barragens, provocaram inundações graves nas 11 províncias do país".
Só as cheias de janeiro afetaram 723.000 pessoas e desalojaram cerca de 400.000, provocando mortes, feridos "e destruição generalizada de infraestruturas", cuja magnitude levou o Governo de Moçambique a declarar alerta vermelho nacional.
"Enquanto o país enfrentava as inundações, o ciclone Gezani atingiu a província costeira de Inhambane, no sul, em fevereiro, com ventos de até 215 km/h. A tempestade afetou milhares de pessoas já vulneráveis", recorda ainda a UE.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, desde outubro, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD atualizada hoje, foram afetadas 1.071.791 pessoas na presente época das chuvas - que se prolonga ainda até final de abril -, correspondente a 247.470 famílias.
Há também registo de 17 pessoas desaparecidas e 352 feridos.
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registaram em fevereiro e março novas vagas de inundações.
Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 29.926 casas ficaram parcialmente destruídas, 15.181 totalmente destruídas e 211.648 inundadas, em toda a presente época chuvosa, até ao momento.
Ao todo, 304 unidades de saúde, 98 locais de culto e 768 escolas foram afetadas em menos de seis meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 320.426 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 373.241 agricultores, e 531.657 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 9.516 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 198 centros de acomodação, que chegaram a albergar 139.461, dos quais 25 ainda estão ativos, com pelo menos 7.548 pessoas, além do registo de 7.214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.