UE diz não ter recebido pedido do Ruanda para prolongar apoio financeiro
A diplomacia da União Europeia (UE) afirmou hoje não ter recebido "qualquer pedido formal" para prolongar o apoio financeiro às forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado, cujo atual programa termina neste mês de maio.
"O atual acordo no âmbito do Mecanismo Europeu para a Paz terminará em maio de 2026. A UE não recebeu qualquer pedido formal de assistência adicional por parte das autoridades ruandesas", afirma fonte oficial da Comissão Europeia em resposta escrita hoje enviada à Lusa.
A resposta surge três dias depois de o Ruanda ter anunciado que se vai manter em Cabo Delgado no combate ao terrorismo, criticando porém que dois pedidos à UE para apoio financeiro foram recebidos com "relutância", sendo a verba agora suportada por Moçambique.
"A União Europeia reconhece a contribuição muito importante do Ruanda para os esforços destinados a estabilizar a situação de segurança em Cabo Delgado. A UE observa igualmente que a presença das Forças de Defesa do Ruanda tem sido valorizada pelas autoridades moçambicanas", salienta a fonte oficial do executivo comunitário na resposta à Lusa.
Em causa está o fim, já previsto anteriormente para maio, do apoio financeiro, após 40 milhões de euros desembolsados da UE à operação que o Ruanda assume há cinco anos em Cabo Delgado, apoiando as Forças Armadas moçambicanas no combate aos grupos terroristas que operam na região, que concentra das maiores reservas de Gás Natural Liquefeito (GNL) em África, palco de insurgência desde 2017.
O fim de tal apoio foi criticado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe: "Lamentavelmente, notámos que os dois pedidos do governo do Ruanda a Bruxelas foram recebidos com relutância e politizados por alguns Estados-membros da UE (incluindo as nossas duas antigas potências coloniais [referência a Portugal e Bélgica]), transformando um apoio crucial a um povo moçambicano numa crítica irracional ao Ruanda, lançada `aos leões` pelos próprios países que beneficiam economicamente da nossa intervenção em Cabo Delgado".
De acordo com o Governo ruandês, existem mais de 6.300 militares a combater o terrorismo no norte de Moçambique, três vezes mais face ao destacamento de 2021.
A posição surge quando se aproximava o fim do apoio financeiro da UE à operação, ao fim dos 36 meses previstos e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos - que financiam o megaprojeto de GNL liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado - aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda devido ao conflito na República Democrática do Congo.
A União Europeia aprovou, em 2022 e 2024, um apoio total de 40 milhões de euros ao destacamento das Forças de Defesa do Ruanda em Cabo Delgado, a pedido de Moçambique e do Ruanda.
A assistência inclui equipamento não letal e custos de transporte das tropas ruandesas, no âmbito do apoio europeu à estabilização de Cabo Delgado.