Um presidente da extrema-direita ou da extrema esquerda? Franceses podem não ter outra escolha

Um presidente da extrema-direita ou da extrema esquerda? Franceses podem não ter outra escolha

A um ano das eleições presidenciais em França, está a desenhar-se um cenário que poderá ter consequências graves também para a União Europeia.

Um Olhar Europeu com Ceska Televize /
Francois Lo Presyi / AFP



Depois de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda A França Insubmissa, ter confirmado acandidatura à presidência, a segunda volta poderá colocar frente a frente representantes dos dois extremos do espectro político.

O candidato presidencial Jean-Luc Mélenchon prometeu reformas profundas se for eleito: aumentar o salário mínimo e os salários do setor público, baixar a idade da reforma para os 60 anos e aumentar ainda mais os impostos sobre as grandes empresas. Promete também exigir retirada da França da NATO.

Socialistas, republicanos e outros representantes do centro político, incluindo o Presidente Emmanuel Macron, começam a dar sinais de alarme. 

As sondagens sugerem que a segunda volta das eleições poderá opor a extrema-esquerda à extrema-direita.

De acordo com as sondagens, o candidato do Rassemblement National, Jordan Bardella, obteria atualmente o apoio de 36 a 38% dos eleitores. A maioria dos apoiantes da extrema-direita já nem sequer está à espera do resultado do recurso no julgamento de Marine Le Pen. Para eles, o presidente do partido é o candidato ideal. O jovem nacionalista parece sentir o mesmo. A candidatura de Le Pen poderá ser bloqueada por um veredito no processo relativo ao desvio de fundos do Parlamento Europeu.Dois extremos
França pode assim encontrar-se numa situação em que os eleitores terão de escolher entre dois extremos. As sondagens mostram que o candidato centrista Édouard Philippe - que muitos consideram estar demasiado ligado ao Presidente Macron, sob o qual foi primeiro-ministro - está apenas dois pontos percentuais à frente do candidato de extrema-esquerda.

Os especialistas alertam para o facto de os extremistas de ambos os lados do espectro político terem uma forte base eleitoral. 

O centro moderado, incluindo os republicanos, pode pagar o preço da fragmentação do apoio destes candidatos na primeira volta, o que significa que uma disputa final entre dois populistas e nacionalistas pode não ser assim tão improvável.

Jan Šmíd, jab / 11 maio 2026 05:20 GMT+1

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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