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"Uma fonte de inspiração para os africanos" - Durão Barroso

"Uma fonte de inspiração para os africanos" - Durão Barroso

Lisboa, 17 Jul (Lusa) - O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, felicitou hoje Nelson Mandela pelo seu 90º aniversário, sexta-feira, afirmando que o ex-presidente sul-africano é "uma fonte de inspiração para os africanos e cidadãos mundiais".

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"Gostaria de aproveitar esta oportunidade para prestar homenagem a uma vida dedicada aos Direitos Humanos e à dignidade de cada ser humano, qualquer que seja a sua origem étnica", refere uma nota hoje enviada pelo gabinete de Barroso.

"Nelson Mandela tem sido, e vai continuar a ser, uma fonte de inspiração para sucessivas gerações de africanos e cidadãos mundiais. A sua vida ilustra o poder da vontade, da coragem, o poder da liberdade e também o poder da reconciliação", adianta.

Mandela foi a "cara" da oposição à segregação racial do regime sul-africano do Apartheid, pelo que passou quase três décadas em detenção, até que em 1990 foi libertado por ordem do então presidente Frederik De Klerk.

Em 1993, recebeu o Prémio Nobel da Paz e, no ano seguinte, foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, ocupando a cadeira do poder durante cinco anos.

Na nota hoje divulgada, Barroso recorda como "um momento grandioso e inesquecível" a cerimónia de tomada de posse de Mandela em 1994, a que assistiu.

"Parabéns, Nelson Mandela! Aguardo com prazer o seu 100º aniversário, que será uma grande festa", conclui a nota de Barroso.

Também hoje, o ex-chefe de Estado sul-africano recebeu felicitações do seu "libertador" Frederick Willem De Klerk, que compartilhou com Mandela o Nobel em 1993.

Mandela, afirma, "nasceu para ser um líder e foi capacitado para converter-se no principal conselheiro do líder da sua tribo. Ele tem a segurança, a humildade e a graça de um verdadeiro aristocrata natural".

Na África do Sul, as comemorações do aniversário de Mandela começaram há um mês, com exposições, debates e a Conferência Anual Nelson Mandela, este ano a cargo da presidente da Liberia, Ellen Johnson-Sirleaf.

Num registo pessoal, a mulher de Mandela, a moçambicana Graça Machel, afirmou em entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNN que o homenageado é "um marido maravilhoso", que, apesar das provações por que passou, "não é possessivo" e que o casal "aceita-se tal como é cada um".

O bispo anglicano Desmond Tutu, Prémio Nobel da Paz e amigo pessoal de Mandela, afirma que a África do Sul "está à deriva e sente a falta " do antigo líder, um "gigante moral" insubstituível.

"Em vez de se deixar consumir pelo desejo de vingança, este homem, depois de 27 anos na prisão, emergiu como uma estupidificante magnanimidade, inspirando nobreza e generosidade de espírito. Tornou-se no homem de Estado mais admirado do mundo, um ícone do perdão e da reconciliação, um colosso moral", afirma em artigo no jornal The Star.

George Bizos, advogado e amigo pessoal, afirma que actualmente Mandela vive inquieto com "a pobreza, as carências de habitação, de saúde e as divisões no ANC (Congresso Nacional Africano, partido que liderou nos anos 1990), que considera a sua vida, a sua igreja, o seu ser".

"Ele diz que quando morrer vai inscrever-se na secção do ANC mais próxima do Paraíso", afirma Bizos em entrevista ao jornal Star.

Para Bill e Hillary Clinton, "o poder do exemplo" de Mandela "dá a pessoas de todo o mundo uma fonte de força, no seu próprio `longo caminho para a liberdade´".

"Quer se trate de um varredor de ruas ou de Bill Clinton, todos devem ser tratados com a mesma dignidade e o mesmo respeito" - a grande lição recebida do avô, afirma a neta Ndileka.

Outra neta, Ndaba, afirmou também em entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNN que uma das características de Mandela é "não ser impressionável" e que insiste em tratar por tu a rainha britânica, negando-se a usar o protocolar "Sua Majestade" por considerar Isabel II "uma amiga".

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Lusa/Fim


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