UNESCO designa parque timorense Nino Konis Santana reserva mundial da biosfera 

UNESCO designa parque timorense Nino Konis Santana reserva mundial da biosfera 

A UNESCO designou hoje 14 novas reservas da biosfera em 14 países, incluindo o parque nacional Nino Konis Santana, em Timor-Leste, considerado "uma das paisagens ecologicamente mais significativas" do sudeste asiático.

Lusa /

A designação hoje anunciada, que abrangeu também a Serra da Estrela em Portugal, é primeira de Timor-Leste e um marco na criação do parque - batizado em homenagem a um comandante da luta pela independência do país lusófono - na ponta leste da ilha, na interseção do `ninho` de biodiversidade de Wallacea e do Triângulo de Coral.

A reserva Nino Konis Santana "alberga a maior floresta primária remanescente do país, com recifes de coral com cerca de 500 espécies de peixes", além do Lago Iralalaro, "o sítio de água doce mais importante de Timor-Leste" e Nusa Tenggara, que alberga 50 espécies de aves aquáticas, refere a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

A nova reserva da biosfera timorense acolhe 168 espécies de aves, incluindo algumas ameaçadas como a catatua-de-crista-amarela, e répteis como a tartaruga-de-pescoço-de-cobra, além de morcegos endémicos, quatro dos quais poderão ser novas espécies para a ciência.

"A sagrada Ilha de Jacob, rodeada por recifes de coral e falésias calcárias, possui um profundo significado espiritual para as comunidades locais", que "pescam com linhas de mão e redes tradicionais, tecem os tecidos Tais, cultivam baunilha e cacau" e "são o tecido vivo desta paisagem", descreve a UNESCO.

As reservas da biosfera da UNESCO são territórios de valor ecológico excecional, integrando habitantes e a natureza, conservando a diversidade biológica e cultural, promovendo o desenvolvimento sustentável e ligando as comunidades numa rede global.

Juntamente com os sítios naturais do Património Mundial e os Geoparques Globais, contribuem para proteger mais de 13 milhões de quilómetros quadrados de ecossistemas terrestres e marinhos, sob a égide da UNESCO.

Juntamente com as novas reservas da biosfera em Timor-Leste e Portugal, foram designadas novas congéneres na Albânia, Argélia, Aruba, Azerbaijão, Camarões, Canadá, República Islâmica do Irão, Mongólia, Montenegro, Paraguai, Filipinas e Vietname. 

Aruba tornou-se o segundo país a ter todo o seu território designado como reserva da biosfera.

Foram ainda aprovadas extensões territoriais para cinco reservas da biosfera já existentes na China, Itália e Espanha.

As designações elevam a Rede Mundial de Reservas da Biosfera para 797 sítios em 145 países.  

Este ano, pela primeira vez, foi designada como reserva da biosfera uma cidade inteira, Quebeque (Canadá).

"As designações deste ano abrangem todos os continentes, demonstrando toda a amplitude do que é viver em harmonia com a natureza. A UNESCO continuará a trabalhar com governos, comunidades e cientistas para garantir que estes laboratórios vivos se mantêm na vanguarda da resposta mundial às crises climáticas e da biodiversidade", refere a agência. 

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) adiantou, em comunicado, que a aprovação da candidatura da Serra da Estrela à Rede Mundial de Reservas da Biosfera foi anunciada hoje na 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), que decorre no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 03 de junho.

Com esta aprovação, Portugal passa a contar com 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), lembrou o ICNF.

Já a Serra da Estrela passa a deter duas designações UNESCO para o mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e agora a Reserva da Biosfera.  

A candidatura foi promovida pela AGE - Associação Geopark Estrela, com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. 

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, realçou que o reconhecimento é "uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras". 

 

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