União Europeia quer posição comum antes de diálogo com Moscovo e afasta Schröder como interlocutor

União Europeia quer posição comum antes de diálogo com Moscovo e afasta Schröder como interlocutor

A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou esta segunda-feira que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão discutir no final do mês, em Chipre, as condições para falar com a Rússia e descartou que o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder represente o bloco.

RTP /
EPA

Em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, Kaja Kallas foi questionada se considera que o bloco deve falar com a Rússia sobre a sua arquitetura de segurança, como tem sido defendido por personalidades como o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

"Antes de começarmos a falar com a Rússia, devemos discutir entre nós sobre o que é que queremos falar. E é por isso que vamos ter uma reunião Gymnich [reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros, agendada para o final do mês em Chipre] onde iremos discutir as propostas que estão em cima da mesa para abordar as questões que temos", respondeu Kallas.

A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança considerou que o atual problema da arquitetura de segurança da Europa "é que a Rússia está constantemente a atacar os seus vizinhos".

"Para conseguirmos prevenir isso, precisamos de concessões do lado russo. Estive na semana passada na Moldova e lá, por exemplo, há tropas russas. Poderia ser uma das nossas condições: que, para haver estabilidade e segurança na região, eles retirassem as suas tropas", exemplificou.

Questionada sobre o facto de o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter sugerido o nome do antigo chanceler alemão Gerhard Schröder como potencial representante da UE para negociações com a Rússia, Kaja Kallas contrapôs que "não seria muito esperto" deixar que Moscovo escolhesse com quem quer dialogar.

"E, em segundo lugar, Gerhard Schröder tem sido o principal lobista das empresas estatais russas. Por isso, a razão por que Putin o quer lá é óbvia: para ter assento nos dois lados da mesa", referiu.
Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas referiu ainda que a UE deverá aprovar hoje novas sanções contra a Rússia, pelo sequestro de crianças ucranianas, no mesmo dia em que se vai realizar em Bruxelas uma reunião da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas.

"Espero que aprovemos sanções que visem as pessoas que estão a ajudar a trabalhar com as crianças ucranianas que foram deportadas", referiu, afirmando que o "que está a ser feito a essas crianças é horrível".
Interrogada sobre como é que a UE tenciona garantir que as crianças regressem à Ucrânia, Kallas reconheceu que se trata da uma "questão difícil", observando que Kiev não sequestrou qualquer criança russa, "pelo que não pode haver trocas".

"Temos diferentes opções e propostas sobre a mesa como negociar com os russos para trazer as crianças de volta. Mas, para isso, precisamos de utilizar todo o apoio internacional, inclusive daqueles países que lidam mais de perto com a Rússia. Discutiremos também esses projetos hoje, mas é, sem dúvida, muito difícil", reconheceu.

Relativamente à violencia sobre os colonatos na Cisjordânia, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE) anunciou hoje que os ministros dos Negócios Estrangeiros deverão aprovar sanções, mas descartou que cheguem a consenso para limitar as trocas comerciais.
"Espero um acordo político sobre as sanções contra os colonos violentos. (...) As sanções têm estado em cima da mesa já há algum tempo e espero que hoje possamos, de facto, avançar", afirmou Kaja Kallas, em declarações aos jornalistas, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas.

As sanções estavam a ser unicamente bloqueadas pelo Governo da Hungria de Viktor Orbán, que foi derrotado nas eleições legislativas de 12 de abril. Este sábado, o novo executivo húngaro, liderado por Péter Magyar, tomou posse, sendo expectável que levante o veto.

c/Lusa




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