UNITA diz que detenção de Raul Danda é prova de intolerância política

UNITA diz que detenção de Raul Danda é prova de intolerância política

A UNITA manifestou hoje "grande preocupação" com a crescente intolerância política que se vive em Angola, considerando que a detenção de Raul Danda, ocorrida sexta- feira em Cabinda, é uma "prova evidente" dessa situação.

Agência LUSA /

"A detenção do jornalista Raul Danda em Cabinda, por ter uma pena e uma voz pela democracia, é prova evidente do clima político que o país vive", refere uma nota de imprensa da direcção da UNITA divulgada em Luanda.

O activista angolano viu confirmada terça-feira a sua detenção pelo Ministério Público, sob a acusação de crime contra a segurança do Estado, segundo revelou à Lusa o seu advogado, Martinho Nombo.

Segundo o advogado, na base desta decisão estão os documentos que foram apreendidos a Raul Danda, considerados como "informação hostil ao governo", mas também o facto de se ter pronunciado publicamente contra o acordo de paz para Cabinda, assinado entre o governo e o Fórum Cabindês para o Diálogo.

"No momento em que o país se prepara para o início do registo eleitoral, que deve ser encarado como o primeiro passo para a realização das eleições gerais, a UNITA constata com grande preocupação um incremento de actos de intolerância política e de violações dos direitos políticos e cívicos dos cidadãos", refere a nota de imprensa divulgada pela direcção da UNITA.

Para o maior partido da oposição, "Angola só pode guindar-se a um nível de respeitabilidade na comunidade internacional se souber dignificar as suas instituições e os seus cidadãos".

Nesta nota de imprensa, a direcção da UNITA comenta ainda recentes casos ocorridos em várias províncias do país envolvendo elementos de partidos da oposição, considerando ser "inconcebível que se intimide e violente angolanos que exibam camisolas e panfletos de partidos que se opõem ao partido no poder".

"A política de governação do país não pode ser confundida com comerciantes que, investidos de poder, atentam contra o bom-nome de instituições legitimadas pelos angolanos", acrescenta.

Para inverter este quadro, a direcção da UNITA "apela ao governo e ao MPLA para que salvaguardem os ideais da paz e da reconciliação nacional", salientando a necessidade do mecanismo bilateral criado entre o governo e a UNITA aplicar uma "estratégia de prevenção contra a intolerância política".

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