Vaga de frio ártico mantém Rússia gelada e já chegou à Europa de Leste
A vaga de frio árctico que há dias mantém a Rússia abaixo dos 30 graus negativos chegou entretanto à Europa, com todo o nordeste europeu a registar hoje temperaturas semelhantes e dificuldades em satisfazer a procura de gás.
No leste da Estónia, próximo da fronteira com a Rússia, os termómetros registaram hoje 33 graus negativos, provocando um aumento súbito da procura de gás que está a causar problemas à empresa de distribuição estónia, Eesti Gaas.
"Estamos numa situação de emergência", disse o director comercial da Eesti Gaas, ao explicar que a empresa "não está a conseguir fornecer gás suficiente aos clientes" devido a "problemas técnicos" e não "à redução dos fornecimentos russos", confrontados com necessidades internas acrescidas.
A situação levou entretanto o Ministério da Economia estónio a pedir às centrais térmicas nacionais - que produzem a electricidade urbana - que utilizem petróleo em vez de gás para permitir canalizar maior quantidade de gás aos consumidores, que necessitam dele para aquecer as suas casas.
Na Letónia, onde as temperaturas chegaram hoje aos 32 graus negativos, mais de 100 pessoas foram tratadas nos hospitais por queimaduras provocadas pelo frio e dez outras, gravemente atingidas, estão internadas na unidade de queimados graves de Riga, segundo a agência Baltic News Service.
Na capital da Lituânia, Vilnius, a temperatura mínima registada hoje foi de menos 29 graus e pelo menos oito pessoas foram hospitalizadas com queimaduras provocadas pelo frio.
Na Polónia, apenas a região nordeste do país está a ser afectada pelo frio intenso. Nas cidades de Byalistok e Suwalki os termómetros desceram hoje aos 27 graus negativos e, segundo as autoridades, cerca de 70 por cento das crianças faltaram hoje à escola.
Em ambas as cidades o sistema de transportes públicos sofreu hoje bastantes atrasos devido à dificuldade em ligar os motores com o combustível parcialmente congelado, dificuldades também experimentadas por vários carros particulares.
Na Rússia, onde as temperaturas geladas, que registam mínimos históricos desde segunda-feira, subiram hoje ligeiramente, pelo menos 13 pessoas morreram devido ao frio na parte europeia do país e cinco em Moscovo durante a madrugada de hoje.
Não há um balanço oficial relativo ao conjunto do país, mas as informações dadas por várias regiões apontam para que pelo menos 71 pessoas tenham morrido devido ao frio desde o princípio da semana.
Em Moscovo, onde as cinco mortes de hoje elevam para 16 o balanço da semana, mais de 100 pessoas foram tratadas nas últimas 24 horas devido a queimaduras de frio no nariz ou nas orelhas.
A sucessão de dias extremamente frios está a obrigar as principais empresas de gás e electricidade russas a acelerarem as máquinas para conseguirem fornecer o gás necessário para aquecer as casas.
A companhia de electricidade SEU anunciou hoje ter atingido quinta-feira um "recorde absoluto" da potência fornecida e a petrolífera Gazprom anunciou, já na quinta-feira, que tem de reduzir os fornecimentos ao estrangeiro devido ao enorme aumento do consumo interno.
Segundo os `media` russos, várias indústrias russas suspenderam a sua actividade devido às falhas no fornecimento de energia e, por outro lado, os sistemas urbanos de aquecimento estão a sofrer constantes problemas técnicos, devido à sobrecarga, que obrigam a cortes prolongados no fornecimento de energia.
Em consequência, segundo os `media`, as vendas de aquecedores dispararam.
As previsões meteorológicas para a Rússia apontam para um ligeiro aumento das temperaturas nos próximos dois dias, mas novas descidas para a próxima semana.