Várias crianças raptadas de escolas na Nigéria foram espancadas no cativeiro relata professora
Várias das crianças raptadas no Estado de Oyo, no sudoeste da Nigéria, foram vítimas de violência física durante os quase dois meses de cativeiro, disse hoje a diretora de uma das escolas atacadas.
Os cerca de quarenta alunos e membros do pessoal, cuja libertação foi anunciada na sexta-feira, tinham sido raptados em três escolas do estado de Oyo, situadas na periferia do vasto Parque Nacional de Old Oyo, no dia 15 de maio.
"Algumas das crianças foram espancadas. Faziam muito barulho, e era isso que os sequestradores mais detestavam", explicou Racheal Alamu durante uma conferência de imprensa na sede do governo do Estado de Oyo, onde o exército entregou oficialmente as crianças e os seus professores às autoridades civis.
Segundo o seu testemunho, os alunos mais novos foram alvo especial dos seus raptores: "Foram eles que receberam mais golpes. Tapavam-lhes a boca, amarravam-nas com roupas e batiam-lhes violentamente".
Os adultos raptados também foram vítimas de maus-tratos, relatou: "Os homens tiveram um destino ainda mais difícil, estavam com os olhos vendados, as mãos algemadas e as pernas acorrentadas".
Durante o seu cativeiro, os reféns foram obrigados a deslocar-se regularmente pelas florestas do Parque Nacional de Old Oyo para escapar às operações de busca.
Segundo a diretora e o governador do estado de Oyo, Seyi Makinde, dois professores foram mortos, um no primeiro dia, durante o sequestro, e o outro durante o cativeiro.
As crianças e os membros do pessoal foram resgatados no final de operações que o exército descreveu como "cuidadosamente planeadas e executadas", realizadas em colaboração com os serviços de informações, a polícia e grupos locais de autodefesa.
Cinco membros das forças de segurança, incluindo elementos de grupos de vigilância comunitária, também foram mortos durante a operação, indicou Makinde.
Este sequestro em massa foi atribuído a combatentes do Ansaru, uma fação dissidente do Boko Haram conhecida por operar no centro da Nigéria e por alargar as suas atividades para o sudoeste.
O sudoeste da Nigéria tem sido considerado uma das regiões mais seguras de um país assolado por múltiplas crises de segurança.
Os sequestros para obtenção de resgate constituem um desafio constante para as autoridades nas regiões instáveis do norte da Nigéria. No entanto, os sequestros em massa têm sido raros no sul do país.
O estado de Oyo é um dos mais populosos da Nigéria e tem como capital Ibadan, um importante centro de ensino no país.