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Vaticano levantou suspensão a antigo Vigário Geral da Diocese de Cabinda

Vaticano levantou suspensão a antigo Vigário Geral da Diocese de Cabinda

O Vaticano levantou a suspensão canónica que interditava o antigo Vigário Geral da Diocese de Cabinda, padre Raul Tati, do exercício das suas faculdades sacerdotais, segundo comunicado do episcopado do enclave angolano.

Agência LUSA /

O levantamento da suspensão, divulgada domingo pelo Vaticano, é anunciado em comunicado do bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, no qual se considera ter-se cumprido "com o tempo as condições impostas pela Santa Sé".

O Vaticano decretou a suspensão de sete sacerdotes da Diocese de Cabinda a 17 de Maio de 2006, por estes pertenceram ao grupo que contestava a nomeação o novo bispo de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, tendo participado numa eucaristia pela reconciliação do clero, realizada três dias antes e promovida pela comissão diocesana da juventude.

A iniciativa foi considerada uma afronta ao então administrador apostólico da Diocese, D. Eugénio del Corso e ao seu vigário geral, Milan Zednicek, por alegadamente não ter sido autorizado pela hierarquia da igreja, razão pela qual a Congregação para a Evangelização dos Povos, de que era prefeito o cardeal Crescêncio Sepe, suspendeu todos os sacerdotes que nela participaram.

Dos sete sacerdotes suspensos quatro continuam a aguardar por uma absolvição canónica.

D. Filomeno Vieira Dias, então bispo auxiliar de Luanda, foi nomeado Bispo de Cabinda a 11 de Fevereiro de 2005, pelo Papa João Paulo II, substituindo no cargo D. Paulino Madeca, que tinha resignado por ter atingido o limite de idade.

A nomeação gerou fortes protestos entre a comunidade católica do enclave, que rejeitou a nomeação de um bispo que não fosse natural de Cabinda e inviabilizou a posse do novo responsável pela diocese.

Nos meses seguintes à nomeação do bispo registaram-se vários incidentes com responsáveis da hierarquia da Igreja Católica que se deslocaram a Cabinda para tentar resolver o impasse, mas a situação agravou-se em finais de Julho de 2005 com uma agressão a D. Eugénio del Corso, na altura administrador apostólico da diocese, que foi impedido de celebrar missa na Igreja Paroquial da Imaculada Conceição.

Na sequência desta agressão, ocorrida na sacristia da igreja, o Núncio Apostólico em Angola decidiu encerrar a Igreja da Imaculada Conceição e suspender alguns membros do clero local.

Em resposta, os sacerdotes suspenderam a celebração de missas no território, situação que se manteve até ao início de Dezembro de 2005, quando foi alcançado um acordo que permitiu reabrir as igrejas do enclave para a celebração de cerimónias eucarísticas.

Apesar deste acordo, que permitiu uma relativa normalização da vida religiosa no enclave, as divergências quanto ao novo bispo mantiveram-se, pelo que a tomada de posse de D. Filomeno Vieira Dias apenas ocorreu em Junho de 2006, 16 meses depois de ter sido nomeado pelo Papa.

Numa reacção à decisão agora divulgada pelo Vaticano, o padre Raul Tati considerou que o levantamento individual ou parcial das suspensões não resolve a crise instalada na Igreja Católica de Cabinda, que só terá fim quando já não houver sacerdotes suspensos.

"Esse processo é doloroso e afecta pessoas e a própria Igreja.

Portanto, não tenho motivos nem para me alegrar, nem para chorar", disse.

"O processo continua enquanto houver sacerdotes na mesma condição em que eu estava (...) No próximo mês de Maio deveríamos completar um ano desde que essas sanções foram impostas e que só vieram causar prejuízos enormes, quer do ponto de vista espiritual, quer de ponto de vista moral da nossa diocese e a esta Igreja de Cabinda", frisou.

O enclave de Cabinda, de onde provém quase 90 por cento da produção petrolífera de Angola, é palco desde 1975 de uma luta armada independentista liderada pela Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), que alega que o território ainda é um protectorado português nos termos do Tratado de Simulambuco.


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