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Vaticano tem regras secretas para padres que são pais
O Vaticano reconheceu pela primeira vez a existência de diretrizes secretas para padres que quebram o voto de celibato e têm filhos, mas afirma que não serão tornadas públicas.
O Vaticano recusou-se a tornar públicas as diretrizes, afirmando que se trata de um assunto interno. Um porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti, disse ao New York Times que o “princípio fundamental” do documento de 2017 era a “proteção da criança”.
O documento determina que um clérigo que tenha tido um ou mais filhos, abandone o sacerdócio para “assumir as suas responsabilidades como pai, dedicando-se exclusivamente à criança”. Porém, segundo Gisotti, em declarações feitas ao canal americano CBS News, o documento é “para uso interno... e não se destina a publicação”.
Durante esta semana, várias vítimas de abuso sexual por parte dos clérigos vão reunir-se em Roma para se manifestarem numa cimeira sem precedentes, onde irão estar presentes membros da Igreja convocados pelo Papa Francisco.
O número de filhos dos padres da Igreja Católica é desconhecido. No entanto, a associação de apoio aos filhos de clérigos, a Coping International, tem cerca de 50 mil membros de 175 países.
De acordo com Vincent Doyle, filho de um dos padres fundadores da Coping International, a questão da descendência dos clérigos é “o próximo escândalo” que confronta a Igreja. “Há crianças destas em todo o lado”, disse ao New York Times.
O Papa Francisco convocou uma comissão para o combate ao abuso sexual na Igreja e encarregue de debater sobre a questão dos filhos de padres.
Os bispos irlandeses publicaram as suas próprias diretrizes, referindo que, se um padre for pai, “o bem-estar do filho deve ser a sua prioridade”. De acordo com este documento “um padre, como qualquer pai, deve encarar as suas responsabilidades – pessoais, legais, morais e financeiras”.
Alguns críticos da Igreja Católica consideram que o voto de celibato vitalício dos sacerdotes não devia ser exigido. Acrescentam que isto pode ser um fator que leva ao abuso sexual e que impede as pessoas de se tornarem membros da Igreja, causando uma falta de padres como está a acontecer em vários países.
Contudo, no mês passado, o Papa disse que se opunha a qualquer mudança geral na tradição da Igreja. "Pessoalmente considero que o celibato é uma dádiva para a Igreja", disse. "Diria que não estou de acordo com o celibato opcional”. Acrescentou ainda que exceções só poderiam ser consideradas em “locais distantes”, onde há falta de padres.