Venâncio Mondlane ouvido na PGR moçambicana
O político Venâncio Mondlane é ouvido hoje na Procuradoria-Geral da República, em Maputo, sobre um dos oito processos em que é visado no âmbito dos protestos e agitação social pós-eleitoral em Moçambique.
"As minhas expectativas não são assim tão grandes", disse o ex-candidato presidencial, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Maputo, na segunda-feira, após alguns dias ausente do país, no Botsuana, quando questionado sobre a convocatória para prestar declarações na PGR, revelando então ter conhecimento que é visado em oito processos.
Mondlane afirmou não saber a qual dos processos vai responder hoje, declarando-se, contudo, "pronto" a responder e afirmando que o objetivo destes processos é "intimidar, aterrorizar, meter medo".
Por outro lado, Venâncio Mondlane recordou os vários processos e queixas que submeteu nos últimos meses à PGR, incluindo uma alegada tentativa de atentado contra a sua vida durante a campanha para as eleições gerais de 9 de outubro, em que concorreu à Presidência da República.
Apontou igualmente a queixa que apresentou na PGR de 398 casos de "violência extrema" contra elementos da sua "organização política", incluindo "40 mortos", salientando que, até agora, nenhum dos casos teve qualquer desenvolvimento, pelo que acusou a instituição de "parcialidade".
A audição na PGR esteve marcada para segunda-feira, mas a pedido do político foi adiada para hoje, às 9h00 locais (menos duas horas em Lisboa).
O ex-candidato presidencial não fazia qualquer declaração pública desde a última quarta-feira, quando a polícia moçambicana disparou para dispersar uma multidão que seguia uma caravana liderada pelo político, o que precipitou a sua fuga do local.
Durante a ausência de Moçambique, Mondlane garante ter mantido encontros de trabalho, nomeadamente com o antigo Presidente do Botsuana Ian Khama.