Venezuela. Dois aviões da força aérea seguem dentro de dias com ajuda

Venezuela. Dois aviões da força aérea seguem dentro de dias com ajuda

Dois aviões da força aérea portuguesa estão prontos para arrancar com ajuda à Venezuela e deverão partir até terça-feira, podendo no regresso trazer pessoas, declarou hoje o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Estamos já a organizar novos voos com a nossa força aérea, já temos dois aviões prontos para arrancar. Espero até sexta-feira ter já os dois aviões cheios ou perto disso" declarou Emídio Sousa aos jornalistas, na Assembleia da República, à margem da sessão de encerramento do encontro do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CPCCP), que esteve reunido entre segunda-feira e hoje.

"Tínhamos previsto um primeiro voo no dia 07 [de julho], que é terça-feira. Se o podermos antecipar, se tivermos já carga para carregar o avião, provavelmente anteciparemos", adiantou o governante realçando que há muita ajuda das pessoas a chegar, mas há que selecionar o que é mais necessário.

"Estamos a fazer uma seleção do que é verdadeiramente preciso. Há muito boa vontade das pessoas", explicou adiantado que, para já não são necessários bens alimentares, bens perecíveis ou água, por exemplo.

O secretário de Estado assegurou que tem estado em permanente contacto com as autoridades venezuelanas e com as portuguesas, para que se perceba efetivamente o que faz falta.

"Estamos a verificar as necessidades", assegurou, e segundo as informações que lhe têm chegado, o que é mais necessário são máquinas e ferramentas.

O secretário de Estado reiterou o que o ministro dos Negócios Estrangeiros, já tinha afirmado: "Como disse o sr. ministro Paulo Rangel, nós estamos a trabalhar nisso [na ajuda] já desde o início, porque nós previmos a nossa intervenção em três momentos. O primeiro salvar e resgatar. O segundo momento a ajuda humanitária. E o terceiro momento será o da reconstrução do país".

O governante referiu ainda, sobre a distribuição da ajuda, que é crucial garantir que esta chega às pessoas que precisam.

"Numa primeira fase provavelmente [serão distribuídos] através da Cruz Vermelha, que é alargada. Numa outra fase poderemos eventualmente envolver o nosso movimento associativo. Temos um movimento associativo muito sério na enezuela. Portanto, isto é todo um trabalho que estamos a fazer todos os dias no Ministério dos Negócios Estrangeiros", indicou. 

Sobre os voos militares, neste caso, particularmente os portugueses, Emídio Sousa realçou que haverá sempre a possibilidade destes, no regresso a Portugal, trazerem pessoas, recordando que 17 já chegaram por essa via.

Além disso, acrescentou, existem voos comerciais a serem operados na Venezuela.

"Portanto, começa a haver aqui múltiplas hipóteses das pessoas que o queiram fazer regressarem, usarem os aviões que vão começar a operar", indicou. 

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes, e outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.

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