Venezuela e Panamá retomam relações diplomáticas
Caracas, 02 jul (Lusa) - Os Governos da Venezuela e do Panamá retomaram, na terça-feira, as relações diplomáticas e comerciais bilaterais, suspensas desde março último, anunciou o vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza.
"Hoje retomamos, restabelecemos plenamente as relações diplomáticas, políticas, culturais e económicas com o Panamá", disse aquele responsável que terça-feira assistiu à tomada de posse de Juan Carlos Varela como novo presidente panamiano.
A 05 de março último o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou a rutura das relações bilaterais diplomáticas e económicas com o Panamá.
Na origem da decisão esteve uma proposta do Panamá para que uma delegação da Organização de Estados Americanos visitasse a Venezuela para analisar a crise no país.
Dois dias depois o Governo da Venezuela anunciou a suspensão de todas as transações em divisas com o Panamá, incluindo o uso de cartões de crédito e acusou o seu homólogo panamiano de pretender cobrar uma comissão aos empresários da Zona Livre de Colón, por fatura paga pela Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), para financiar a sua campanha eleitoral no país.
A Cadivi, agora Centro de Comércio Exterior da Venezuela, é a entidade que regula a atribuição de divisas para importações na sequência do sistema de controlo cambial vigente desde 2003 e que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país.
Segundo, Leopoldo Benedetti, gestor da Zona Livre de Colón, os empresários venezuelanos de Caracas mantêm aproximadamente 2.000 milhões de dólares (1.436,7 milhões de euros) de dívidas a empresas panamianas.
Há mais de quatro meses que se registam protestos diários na Venezuela devido à crise económica, inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, alegada ingerência cubana e repressão por parte de organismos de segurança do Estado.
Alguns protestos degeneraram em confrontos violentos durante os quais morreram pelo menos 43 pessoas, incluindo dez polícias ou militares.
Duas centenas de pessoas estão presas, entre elas vários estudantes universitários.
Por outro lado, mais de 900 pessoas ficaram feridas, mais de 3.200 foram detidas.
Mais de dez polícias estão presos e estão em curso 197 investigações por alegadas violações de direitos fundamentais dos manifestantes.