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Venezuela. Montenegro vê "transição democrática" no país e espera eleições livres
Por ocasião da visita de María Corina Machado a Portugal, o primeiro-ministro português considerou que o atual momento político na Venezuela é "de transição democrática" e disse esperar que em breve haja eleições "absolutamente livres".
Luís Montenegro encontrou-se esta quarta-feira ao início da tarde com María Corina Machado, opositora ao regime venezuelano e Prémio Nobel da Paz.
Em declarações aos jornalistas na residência oficial, em São Bento, após um encontro de cerca de 40 minutos, o primeiro-ministro saudou a libertação do cidadão luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022, e que foi conhecida na noite de terça-feira.
Montenegro manifestou "satisfação por mais uma libertação", mas lembrou que "ainda há compatriotas nessas circunstâncias".
"Há, infelizmente, na Venezuela situações em que as pessoas se encontram presas por arguição de delitos comuns, mas no final de contas são um refúgio para presos políticos. Portanto, para esconder a motivação política da respetiva privação da liberdade", afirmou Luís Montenegro.
Acrescentou que "ainda temos compatriotas nossos presos nessas circunstâncias e há também ainda várias centenas de pessoas, mas fará parte deste processo de transição democrática que haja uma libertação para que um país possa funcionar com liberdade, com espírito democrático".
Luís Montenegro expressou também o desejo de que "as pessoas que se encontram exiladas possam regressar ao país", como é o caso de Corina Machado, e que "possa ser realizado um ato eleitoral onde, de forma absolutamente livre, o povo venezuelano possa escolher o seu futuro e todas as oportunidades que o país tem possam ser usufruídas pelo seu povo".
Montenegro lembrou também a grande comunidade portuguesa no país, com mais de 400 mil portugueses e lusodescendentes. "Muitos" estão atualmente em Portugal ou noutros países por não encontrarem "a estabilidade e a segurança para poderem estar no território venezuelano".
María Corina Machado não prestou declarações aos jornalistas.
María Corina Machado não prestou declarações aos jornalistas.
Desde o início de janeiro que a Venezuela é liderada pela presidente interina, Delcy Rodriguez, antiga vice-presidente de Nicolás Maduro, após a captura deste pelos EUA.
Nas eleições presidenciais de 2024, María Corina Machado foi impedida de concorrer e declarou apoio ao candidato Edmundo González Urrutia, que reclamou vitória. No entanto, as autoridades atribuíram um terceiro mandato a Nicolás Maduro.
Edmundo González está exilado em Espanha desde setembro de 2024. María Corina estava na Venezuela, em parte incerta, mas saiu do país em dezembro, com ajuda dos Estados Unidos, para receber o prémio Nobel da Paz 2025 em Oslo, Noruega.