Vice-presidente dos EUA telefonou a Dilma Rousseff para dar explicações sobre espionagem
Brasília, 20 jul (Lusa) -- O vice-presidente norte-americano Joe Biden telefonou, na sexta-feira, à Presidente brasileira, Dilma Rousseff, para explicações sobre a alegada violação da privacidade de brasileiros e instituições do país, denunciada pelo ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA) e CIA Edward Snowden.
Joe Biden lamentou as negativas repercussões que as revelações causaram no Brasil, numa conversa que durou 25 minutos, disse o gabinete de Dilma Rousseff à AFP.
O vice-presidente norte-americano reiterou um convite feito anteriormente pelo embaixador dos EUA Thomas Shannon para uma delegação do Brasil visitar Washington para explicações mais detalhadas, disse a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, citada pela agência Brasil.
"Rousseff disse que, em nome da segurança, ninguém pode infringir a privacidade dos cidadãos brasileiros e até mesmo a soberania do país", afirmou a ministra.
A Presidente brasileira confirmou igualmente a sua visita oficial a Washington no dia 23 de outubro, de acordo com a agência de notícias brasileira.
O ministro dos Negócios Estrangeiros brasileiro, António Patriota, disse na segunda-feira que Washington não tinha dado explicações suficientes sobre o pedido de esclarecimento sobre a alegada espionagem norte-americana.
O diário brasileiro O Globo publicou uma série de notícias e reportagens sobre operações de espionagem eletrónica no Brasil e América Latina com base em documentos fornecidos por Edward Snowden.
O jornal noticiou que a NSA espiou residentes e empresas no Brasil, assim como pessoas que viajaram para o país. Segundo o mesmo periódico, Washington manteve igualmente uma "base de espionagem" em Brasília para intercetar comunicações estrangeiras por satélite.
O ex-consultor dos serviços de informações dos Estados Unidos Edward Snowden pediu, esta terça-feira, asilo político temporário à Rússia.
Edward Snowden é reclamado pelos Estados Unidos por divulgar informação classificada e está, há três semanas, na área de trânsito do aeroporto de Moscovo, à espera de uma solução diplomática.