Vinte e um anos após morte de Samora Machel, família mantém esperança em saber causas do acidente
A família do antigo Presidente moçambicano Samora Machel, morto num acidente de aviação há precisamente 21 anos, afirmou em Maputo que espera ainda pelo esclarecimento das circunstâncias em que o estadista perdeu a vida.
Um inquérito realizado ao acidente, ocorrido a 19 de Outubro de 1986, na localidade sul-africana de Mbuzini, dividiu profundamente os investigadores do Governo sul-africano da época, ainda na vigência da política de "apartheid" neste país, e os do Governo moçambicano.
Os peritos sul-africanos concluíram que houve erros de pilotagem dos tripulantes russos do Tupolev em que seguia a comitiva presidencial, enquanto os moçambicanos insistem na tese de que o aparelho, atraído por um sinal de rádio alegadamente colocado pelo regime sul-africano, se descontrolou e foi embater numa montanha.
Para o Governo moçambicano, a tese de sabotagem do avião pelo extinto governo minoritário branco da África do Sul é coerente, pois alguns meses antes do desastre, altos quadros daquele regime tinham ameaçado Samora, em retaliação contra o apoio que o presidente moçambicano dava a guerrilheiros do Congresso Nacional Africano (ANC), o movimento que lutou pelo fim do "apartheid" e está actualmente no Governo.
A viúva de Samora Machel, Graça Machel, actualmente casada com Nelson Mandela, líder histórico da luta anti-aparheid na África do Sul, país a que presidiu entre 1992-1996, acusou, há alguns anos, altas patentes do exército moçambicano de terem colaborado com o governo sul-africano da época na morte de Machel, o que levou o actual chefe de Estado da África do Sul, Tabo Mbeki, a prometer investigações para a descoberta da verdade.
No entanto, passados 21 anos do acidente de Mbuzini, desconhece-se a evolução dessas investigações, como admitiu hoje, em Maputo, Graça Machel.
"Não sei em que estádio se encontram" (as investigações), disse Graça Machel a jornalistas, momentos após visitar a Praça dos Heróis, onde estão os restos mortais do falecido marido.
"A esperança é a última coisa que morre. Acreditamos que um dia saberemos porque é que morreu (Samora Machel)", sublinhou.
O filho mais velho de Samora Machel, Samito Machel Júnior, reclamou também o direito de saber as circunstâncias em que o "pai" morreu.
"Nós como filhos, queremos saber o que é que aconteceu ao nosso pai", disse Samito Machel Júnior.
Além de Samora Machel, perderam a vida no acidente aéreo, quando o avião presidencial regressava da Zâmbia a Moçambique, mais 33 pessoas, entre ministros, jornalistas, e funcionários da Presidência moçambicana.