Mundo
Guerra na Ucrânia
Violência sexual em conflitos. ONU inclui Rússia e Israel na `lista negra`
O relatório anual das Nações Unidas sobre violência sexual em conflitos foi publicado esta sexta-feira e coloca, em anexo, as forças militares russas e israelitas como culpadas de abusos e violência sexual contra detidos. Os dois países destacam-se ainda pelos entraves colocados às investigações e por ataques contra homens e rapazes.
Foi a inclusão das suas forças de segurança neste relatório que levou Israel a cortar relações, esta quinta-feira, com António Guterres, secretário-geral da ONU, acusando or organismos da Nações Unidas de "viés institucional".
Pramila Patten, representante especial para o tema, afirmou, durante a apresentção do relatório, que tanto a Rússia como Israel foram notificadas em 2025 sobre a possibilidade das suas forças serem incluídas na lista.
Apesar destes desafios, os investigadores verificaram 310 casos de abusos cometidos por russos, incluindo violação e violação coletiva, mutilação genital e aplicação de choques elétricos nos genitais. A maioria das vítimas eram homens, com 26 mulheres e quatro raparigas também abusadas.
A Rússia utilizou tortura sexual sistemática contra ucranianos, tanto civis como prisioneiros de guerra, em “quase todos” os centros de detenção, como já tinha sido constatado pela ONU.
Em dois terços dos casos, as forças russas utilizaram múltiplas formas de violência sexual, e mais de metade dos sobreviventes sofreram ataques sexuais repetidos, segundo o relatório. A maioria foi entrevistada em território controlado pela Ucrânia após a sua libertação.
Pramila Patten, representante especial para o tema, afirmou, durante a apresentção do relatório, que tanto a Rússia como Israel foram notificadas em 2025 sobre a possibilidade das suas forças serem incluídas na lista.
Patten recomendou na altura diversas "medidas preventivas", seguindo resoluções da ONU, para evitar a inclusão. Israel rejeitou por escrito as conclusões do relatório e a possibilidade das suas forças serem referidas no relatório.
O anexo do relatório, que menciona as forças russas e israelitas, identifica 77 partes consideradas responsáveis por padrões de violência sexual relacionados com conflitos.
Inclui 62 atores não estatais e acrescenta as Forças Armadas e de Segurança russas e israelitas, "após a constatação de padrões contínuos de violência sexual documentados pela ONU".
Israel na 'lista negra'
O relatório refere que foram identificados padrões de abusos em vários centros de detenção, postos de controlo e instalações militares controladas pelas forças israelitas e onde estas terão cometido violações, agressão genital, nudez forçada, revistas corporais humilhantes e ameaças de violação.
O relatório menciona especificamente casos documentados e comprovados de violência sexual em contextos de detenção, incluindo violação de reclusos do sexo masculino, em Gaza e na Cisjordânia ocupada, entre 2023 e 2025, num total de 31 vítimas, homens, mulheres e crianças, palestinianos. Para as Nações Unidas, este relatório é somente um mecanismo de monoritorização, sem qualquer peso legal. As suas conclusões, afirma, baseam-se em informações verificadas e na avaliação de padrões de comportamento em contextos de conflito armado.
Segundo o relatório, os ataques israelitas incluíram repetidas violações coletivas e o uso de violência sexual como forma de tortura.
O relatório elenca crimes sexuais, como violação com objetos, tentativa de violação, ataques aos genitais, disparos dirigidos aos genitais, toque nos seios e genitais, nudez forçada e ameaças de violação.
Estes casos foram considerados “indicativos de incidentes e padrões”, e não um resumo abrangente da violência sexual relacionada com o conflito e cometida por israelitas.
Estes casos foram considerados “indicativos de incidentes e padrões”, e não um resumo abrangente da violência sexual relacionada com o conflito e cometida por israelitas.
"Ridículo"
O documento acrescenta que os investigadores das nações Unidas operaram sob restrições estatais, referindo que Israel proibiu a entrada de peritos da ONU nos centros de detenção, bloqueou as viagens até Gaza e ameaçou os reclusos palestinianos caso denunciassem abusos após a sua libertação.
Israel, e o seu aliado mais poderoso, os Estados Unidos, contestaram a inclusão do país na lista negra dos abusos, com Danny Danon, embaixador de Israel nas Nações Unidas, a frisar nas redes sociais que o seu país é uma democracia "com um forte Estado de Direito que investiga e responsabiliza os culpados".
Considerou por isso "ridículo" incluir Israel em listas de abusos sexuais "no mesmo nível de organizações terroristas como o Hamas e o Estado
Islâmico, que atacam civis deliberadamente e usam a violência sexual
como arma de terror". Na quinta-feira, Danon já havia anunciado o corte de relações com o líder da ONU, António Guterres, devido à inclusão de Israel nessa "lista negra".
O embaixador afirmou ainda que “Israel apresentou provas, documentos e respostas detalhadas para cada alegação”. Não divulgou nenhuma prova publicamente.
Igualmente nas redes sociais, o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, fez eco da inclusão "ridícula" de Israel ao lado de organizações como o Hamas ou o Estado Islâmico.
Waltz defendeu também Telavive como "uma democracia com um sistema judicial que investiga denúncias", ao mesmo tempo que acusou a organização de "equiparar um Estado a grupos terroristas".
Tortura sexual "sistemática" russa
Tal como Israel, a Rússia nega igualmente o uso de violência sexual contra detidos por parte dos seus militares. Moscovo obstruiu também as investigações, sobre violência sexual “sistémica” contra ucranianos, impedindo os observadores de terem acesso a prisioneiros de guerra e a civis detidos, afirmou a ONU.
Apesar destes desafios, os investigadores verificaram 310 casos de abusos cometidos por russos, incluindo violação e violação coletiva, mutilação genital e aplicação de choques elétricos nos genitais. A maioria das vítimas eram homens, com 26 mulheres e quatro raparigas também abusadas.
A Rússia utilizou tortura sexual sistemática contra ucranianos, tanto civis como prisioneiros de guerra, em “quase todos” os centros de detenção, como já tinha sido constatado pela ONU.
Em dois terços dos casos, as forças russas utilizaram múltiplas formas de violência sexual, e mais de metade dos sobreviventes sofreram ataques sexuais repetidos, segundo o relatório. A maioria foi entrevistada em território controlado pela Ucrânia após a sua libertação.
A nível mundial, o relatório reúne 9.788 casos verificados em 2025, em contexto de guerra, repressão política e detenção em todo o mundo, tendo constatado que a violência sexual relacionada com conflitos aumentou drasticamente a partir de 2024, "caracterizada por uma extrema brutalidade e dirigida predominantemente a mulheres e raparigas".
Israel e Rússia, no entanto, divergem desta tendência, visando também os homens.
Israel e Rússia, no entanto, divergem desta tendência, visando também os homens.
c/agências