Vírus informático Flame recebeu ordem para desaparecer sem deixar rasto
O vírus informático Flame, recentemente detetado em vários países do Médio Oriente, recebeu ordem para desaparecer sem deixar quaisquer vestígios, revelou a empresa de segurança informática Symantec.
Descoberto pela empresa de segurança russa Kaspersky Labs no final de Maio, e considerado "uma das mais complexas ameaças jamais descobertas", o vírus teria sido fabricado por ordem dos Estados Unidos, tendo causado estragos em computadores da Cisjordânia, da Síria, do Líbano, da Arábia Saudita e do Egipto - além do Irão, onde terá atrasado o programa nuclear em cerca de um ano e meio a dois anos.
"No fim da semana passada, alguns centros de comando do Flame enviaram uma nova ordem a diversos computadores infetados", revelou a Symantec no seu blogue. "Esta ordem tinha como objetivo fazer desaparecer completamente o Flame dos computadores comprometidos".
A investigação que levou à primeira deteção do vírus foi realizada em conjunto com a União Internacional de Telecomunicações (UIT) e concluiu que o Flame não causava danos no hardware, mas recolhia enormes quatidades de dados sensíveis, disse na altura à BBC Vitaly Kamluk, o principal responsável da Kaspersky pela deteção de vírus informáticos.
"Uma vez que o sistema está infetado, o Flame inicia uma série complexa de operações, incluindo a verificação do tráfego da rede, fazendo capturas de ecrã, gravando conversações áudio, intercetando o teclado e por aí adiante", disse Vitaly Kamluk, que informou também que foram infetados mais de 600 computadores, entre indivíduos, empresas, instituições académicas e governamentais.
Um outro vírus informático muito potente, batizado Stuxnet, já tinha sido desenvolvido há uns anos para atacar algumas centrifugadoras muito específicas, usadas no programa nuclear iraniano. Em Janeiro de 2011, o diário norte-americano The New York Times revelou que este vírus teria sido criado em conjunto pelos serviços de informação israelitas e norte-americanos.
Israel testou a eficácia do vírus no complexo nuclear de Dimona, situado no deserto de Neguev, que alberga o programa de armamentos nucleares israelita, indicou The New York Times, que citou peritos militares e dos serviços secretos. A criação deste vírus destrutivo teria sido um projeto americano-israelita, com a ajuda, voluntária ou não, da Grã-Bretanha e da Alemanha, segundo as fontes do diário.
Segundo Alan Woodward, do Departamento de Computação da Universidade de Surrey, no Reino Unido, a forma de ataque do Flame era muito signifiicativa. "É basicamente um aspirador industrial para dados sensíveis", disse Woodward à BBC. "Enquanto o Stuxnet tinha apenas um propósito, o Flame é uma caixa de ferramentas e por isso pode explorar quase tudo o que lhe apareça à frente".