Viúva do Nobel da Paz Liu Xiaobo deixa a China

Viúva do Nobel da Paz Liu Xiaobo deixa a China

A poetisa Liu Xia, viúva do Prémio Nobel da Paz chinês e ativista dos Direitos Humanos Liu Xiaobo, deixou esta terça-feira a China. Depois de quase oito anos sob prisão domiciliária, a ativista embarcou num voo de Pequim para Berlim, informou o irmão Liu Hui.

RTP /
Em Berlim, Liu Xia vai juntar-se a uma pequena comunidade de exilados chineses, incluindo o artista e cineasta Ai Weiwei e o escritor e dissidente Liao Yiwu Nir Elias - Reuters

"A minha irmã deixou Pequim ao meio dia de hoje. Viajará para a Europa para recomeçar a sua vida", disse Liu Hui numa nota deixada numa rede social e partilhada pela CNN.

"Estou grato a todos aqueles que se preocuparam com ela e a ajudaram ao longo dos anos. Também rezo para que os nossos pais e o meu cunhado continuem a abençoá-la. Espero que a sua vida a partir de agora seja cheia de paz e felicidade”, continuou.

O comunicado do irmão da poetisa foi divulgado dias antes do primeiro aniversário da morte do marido e um dia após o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, se ter encontrado com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em Berlim, Liu Xia vai juntar-se a uma pequena comunidade de exilados chineses, incluindo o artista e cineasta Ai Weiwei e o escritor e dissidente Liao Yiwu.

Para além disso, um pouco por todo o mundo, vários governos e ativistas apelaram à libertação de Liu Xia, que nunca foi acusada de qualquer crime. Recentemente, através de um comunicado, a Comissão de Direitos Humanos mostrou-se preocupada com a saúde mental da poetisa.
Um ano depois da morte de Liu Xiaobo
O ativista Liu Xiaobo morreu de cancro no fígado, aos 61 anos, em julho passado, um mês depois de ter saído em liberdade condicional - fora condendo a 11 anos de prisão por alegadamente "incitar à subversão do poder do Estado".

Liu Xia estava sob prisão domiciliária desde a entrega do Nobel em 2010. A artista ficou impedida de deixar o país, mesmo para tratamento médico. 

"Liu Xia nunca desistiu do falecido marido preso e por isso foi cruelmente punida", disse Patrick Poon, um investigador da Amnistia Internacional na China. "As autoridades chinesas tentaram silenciá-la, mas ela era defensora dos Direitos Humanos", acrescentou. 

Patrick Poon acrescentou que, embora fosse "uma notícia maravilhosa" saber que "Liu Xia está finalmente livre", o assédio à família da poetisa "também deve acabar". "Seria insensível por parte das autoridades chinesas usar os familiares de Liu Xia para pressioná-la a impedir que se pronucie no futuro", vincou.
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