Votação arranca hoje para as eleições parlamentares na Etiópia
Os etíopes começaram hoje a votar nas eleições parlamentares, uma disputa com poucas expectativas, em que o grande favorito é o Partido da Prosperidade (PP) do atual primeiro-ministro, Abiy Ahmed, que se recandidata.
Cerca de 50 milhões de eleitores estão a eleger os membros do parlamento, que, por sua vez, escolherão o primeiro-ministro, que detém o poder executivo.
Dezenas de cidadãos já aguardavam antes da abertura das mesas de voto às 06:00 (04:00 em Lisboa), estando o encerramento da votação previsto para as 18:00 (16:00 em Lisboa).
Na sexta-feira, a Amnistia Internacional (AI) pediu ao Governo etíope que respeite a liberdade de imprensa, particularmente no período que antecedia as eleições legislativas, e exortou a comunidade internacional a agir para assegurar esse direito.
"As autoridades etíopes intensificaram a sua repressão contra a liberdade de imprensa numa tentativa cínica de silenciar as críticas no período que antecede as eleições nacionais do país, previstas para 01 de junho", afirmou a AI, em comunicado.
Nos últimos meses, as autoridades etíopes lançaram uma campanha de repressão contra os meios de comunicação independentes através da detenção arbitrária, do desaparecimento forçado e da vigilância ilegal de jornalistas, referiu a organização não-governamental (ONG).
Por outro lado, existe também o relato de jornalistas que viram a sua acreditação ser revogada, enquanto vários órgãos de comunicação social perderam as licenças de forma arbitrária, acrescentou.
"As autoridades etíopes devem reverter estas tendências cada vez mais autoritárias e pôr fim imediato a esta campanha de repressão contra os meios de comunicação social", pediu o diretor regional da AI para a África Oriental e Austral, Tigere Chagutah.
"Os parceiros de desenvolvimento da Etiópia e os organismos regionais e internacionais de direitos humanos relevantes também devem pronunciar-se contra o desmantelamento sistemático dos `media` independentes do país, numa altura em que os cidadãos se preparam para votar", prosseguiu.
A ONG citou que, segundo o depoimento de seis jornalistas, a cobertura das eleições legislativas deste ano tem sido "severamente afetada pela hostilidade contínua contra a imprensa".
As mesmas fontes referiram que os jornalistas recorrem frequentemente à autocensura para evitar represálias por parte das autoridades.
"A liberdade de imprensa e o livre fluxo de informação são vitais durante as eleições", recordou Chagutah.
Ao longo do último ano, o organismo regulador dos `media` da Etiópia - a Autoridade de `Media` da Etiópia - suspendeu arbitrariamente o registo do Addis Standard e da Wazema Radio, além de ter revogado a acreditação e as licenças de jornalistas da Reuters.