Zelensky acredita que guerra com a Rússia está a virar a favor de Kiev

Zelensky acredita que guerra com a Rússia está a virar a favor de Kiev

O presidente da Ucrânia está mais otimista quanto à guerra com a Rússia, que estará a sofrer mais baixas significativas na frente de batalha, apesar de não se perspetivar um acordo de paz para breve.

Inês Moreira Santos - RTP /
Isabel Infantes - Reuters

Numa entrevista em Londres ao Guardian, Volodymyr Zelensky considerou que a Rússia está isolada na Europa e que, mais de quatro anos depois da invasão russa, a guerra parece estar a mudar lentamente a favor de Kiev, devido à perda de iniciativa por parte de Moscovo

A situação militar está muito melhor do que há um ano e é a mais promissora para Kiev nos últimos dois anos e meio, admitiu o líder ucraniano. “Não podemos dizer que a Rússia está a perder esta guerra. Mas podemos dizer que está a perder a iniciativa a cada dia que passa”, afirmou.

Ainda assim, Zelensky tem noção de que a “situação no terreno pode mudar todos os dias”.

“Mas vemos que, nos últimos meses, as medidas tomadas pelo nosso lado e para Rússia têm sido mais firmes”.

Na última semana, as forças ucranianas lançaram drones de longo alcance contra São Petersburgo, onde se incendiaram terminais de crude, enquanto houve ataques semelhantes na Crimeia, a península ucraniana ocupada pela Rússia desde 2014. Segundo Zelensky, o objetivo dos ataques ucranianos de longo alcance é que os residentes das cidades russas sintam o que significa a guerra.

“A vitória nesta guerra será alcançada quando a sociedade russa reconhecer que a guerra é terrível, que é uma tragédia não para alguém em algum lugar, mas para si próprios. E acredito que este é o impulso de que necessitamos", afirmou.

O presidente ucraniano disse ainda que a Rússia tem registado baixas de 30 mil soldados por mês, incluindo cerca de 23 mil mortos e muitos feridos com gravidade, mas admitiu que o número possa ser maior. 

“Em suma, é um número muito elevado. Significa que não estão a ganhar a guerra”
, assinalou, acrescentando que a Ucrânia também sofreu muitas baixas, mas numa escala menor.
Putin está a mentir e Rússia a perder influência
A guerra na Ucrânia pode parecer estagnada, mas a destruição da ofensiva russa continua. Moscovo intensificou os ataques aéreos contra cidades ucranianas com o objetivo aparente de aterrorizar aqueles que não estão envolvidos nos combates. Um ataque na última terça-feira contou com 73 mísseis e 656 drones, matando 18 pessoas em Kiev e Dnipro. 

Na semana passada, Zelensky escreveu uma carta aberta ao presidente da Rússia, sugerindo um encontro presencial para pôr fim ao conflito. Sugestão que Vladimir Putin rejeitou. 

Sobre a reação do homólogo russo, Zelensky desvalorizou os motivos e disse que Putin mentiu sobre a guerra desde o início, ao justificá-la com a necessidade de proteger os falantes de russo na Ucrânia. Além da proteção das minorias russas, Putin justificou a invasão de fevereiro de 2022 com o objetivo de “desnazificar” a Ucrânia e impedir a adesão do país vizinho à NATO, entre outros motivos.

No âmbito internacional, a Rússia sofreu vários reveses políticos, como a derrota de Viktor Orbán nas recentes eleições na Hungria, enquanto as tentativas russas de apoiar candidatos pró-russos na Moldova fracassaram. 

“Estão a perder influência em diferentes países”, comentou Zelensky. “Estão isolados dentro da Europa e também dos Estados Unidos. Portanto, estão sozinhos”. 

Para o presidente ucraniano a única saída da guerra é a diplomacia. Mas apesar dos esforços com o presidente dos Estados Unidos, Zelensky tem explicado a Donald Trump que não se pode confiar em Putin.


Zelensky referiu que sempre disse ao homólogo norte-americano que Putin mentia e jogava com a administração Trump, e agradeceu o “firme apoio” de Washington à Ucrânia.

"Eu sempre disse ao presidente Trump que Putin está a mentir. Ele está a jogar com vocês, com a Casa Branca".

Zelensky reuniu-se no domingo em Londres com os chefes dos governos britânico, Keir Starmer, e alemão, Friedrich Merz, e com o Presidente francês, Emmanuel Macron. Numa declaração conjunta após a reunião, mostraram-se favoráveis a um cessar-fogo na Ucrânia que tenha em conta os interesses europeus.
PUB