Zelensky acusa Moscovo de preparar colocação de estações de controlo de drones na Bielorrússia
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou hoje a Rússia de preparar a colocação na Bielorrússia de estações de controlo de `drones` de longo alcance, prometendo responder "em conformidade".
Após uma reunião com Oleh Ivashchenko, chefe da agência de inteligência militar da Ucrânia, Zelensky afirmou que Kiev dispõe de "informações claras de que a Rússia planeia implantar mais estações de controlo terrestre para `drones` de longo alcance nos territórios da Ucrânia temporariamente ocupados, bem como quatro estações na Bielorrússia".
"Responderemos em conformidade. Instruí Oleh Ivashchenko a informar os parceiros e representantes dos meios de comunicação social sobre os dados que podemos divulgar", escreveu Zelensky.
O Presidente ucraniano disse ainda que Kiev possui provas irrefutáveis de que a Rússia continua a fornecer informações de inteligência ao regime iraniano.
"A Rússia está a utilizar as suas próprias capacidades de inteligência de sinais e de inteligência eletrónica, bem como parte dos dados obtidos através da cooperação com parceiros no Médio Oriente", afirmou na sua conta no Telegram.
Também hoje, na sua mensagem diária à população ucraniana, Zelensky lamentou que os norte-americanos estejam sobretudo concentrados na guerra no Irão, após dois dias de negociações entre enviados de Kiev e Washington na Florida para pôr fim ao conflito na Ucrânia.
Embora saudando a realização destas negociações, Zelensky lamentou que "a situação em torno do Irão" tenha sido "o principal foco de atenção da parte norte-americana".
Por seu lado, o enviado norte-americano, Steve Witkoff, considerou que as conversações de sábado e hoje na Florida foram "construtivas", numa mensagem publicada na rede social X.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com drones, alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
Estas condições - constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus forneçam-lhe garantias sólidas de que não voltará a ser alvo de ataque.