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Zelensky anuncia encontro com negociadores dos EUA no sábado

Zelensky anuncia encontro com negociadores dos EUA no sábado

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou hoje que uma delegação de Kiev vai reunir-se no sábado com os enviados da Casa Branca nos Estados Unidos para retomar o processo negocial sobre o conflito na Ucrânia.

Lusa /
Foto: Suzanne Plunkett/Pool - Reuters

"A equipa ucraniana - concretamente a parte política do grupo - já está a caminho. Esperamos uma reunião nos Estados Unidos no sábado", disse Zelensky no seu pronunciamento diário.

Segundo o líder ucraniano, já era "tempo de pôr fim" à pausa nas negociações entre Kiev e Moscovo, promovidas por Washington, que passaram para segundo plano desde o início da ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Uma nova ronda de negociações trilaterais em Abu Dhabi foi adiada após o início da guerra no Médio Oriente, sem que fosse anunciada uma nova data ou local.

O representante de Moscovo Kirill Dmitriev reuniu-se em Miami, na semana passada, com negociadores norte-americanos, incluindo os enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner.

Esta reunião ocorreu depois de Washington ter anunciado o levantamento de algumas sanções ao comércio de petróleo russo, com o objetivo de mitigar a escalada dos preços no contexto da atual guerra no Médio Oriente.

A última ronda trilateral foi realizada em Genebra em 17 e 18 de fevereiro e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.

Volodymyr Zelensky transmitiu hoje aos líderes europeus que é preciso garantir que a Rússia não volte às negociações de paz numa posição de força.

"Mas com que mentalidade é que o lado russo vai chegar às negociações desta vez? Depende de todos nós garantir que os russos não chegam a estas negociações com o sentimento de que a sua posição está muito mais forte", defendeu num discurso por videoconferência na cimeira do Conselho Europeu.

O Presidente ucraniano salientou que a Rússia pode sentir-se reforçada devido à guerra no Médio Oriente, não apenas pela subida do preço do petróleo, como por uma eventual perceção em Moscovo de que Kiev "vai ficar com falta" de sistemas de defesa aérea, que estão a ser usados pelos países do Golfo contra os ataques iranianos.

Zelensky lamentou também que o 20.º pacote de sanções à Rússia não tenha sido ainda aprovado na União Europeia (UE) e o levantamento temporário das penalizações ao comércio de petróleo russo.

"Isso dá uma quantia significativa de dinheiro para o orçamento de guerra de [Presidente russo, Vladimir] Putin", observou.

Por outro lado, pouco depois de o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ter novamente recusado levantar o bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, Zelensky avisou que esse empréstimo "é crítico" para Kiev.

"É um recurso para protegermos vidas e, mesmo hoje, não sabemos se esse apoio vai ser desbloqueado", afirmou.
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