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Zelensky confiante na capacidade da UE para desbloquear empréstimo

Zelensky confiante na capacidade da UE para desbloquear empréstimo

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou hoje confiança na capacidade dos aliados da União Europeia (UE) para desbloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia, vetado pela Hungria.

Lusa /
Gleb Garanich - Reuters

"A Europa está a pensar numa alternativa e tem ideias. Penso que [os Estados-membros da UE] encontrarão uma solução. São líderes inteligentes e fortes, e desbloquearão todos estes processos", declarou Zelensky à comunicação social.

Segundo o chefe de Estado ucraniano, Kiev espera também obter receitas graças a acordos de cooperação em matéria de segurança, em particular aqueles que foram assinados com países do Golfo Pérsico na recente visita de Zelensky à região.

"Queremos uma linha de produção bilateral. Isso vai ajudar-nos, porque serão alocados fundos adicionais ao nosso orçamento da Defesa", afirmou.

Nos termos destes acordos de dez anos, a Ucrânia planeia, entre outras coisas, iniciar a exportação dos seus drones de interceção, com capacidade para destruir drones Shahed, de fabrico iraniano.

Em plena campanha eleitoral, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, bloqueia há meses um empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, enquanto Kiev não retomar o fornecimento de petróleo russo à Hungria, através de um oleoduto danificado na Ucrânia por um ataque aéreo russo a 27 de janeiro deste ano.

Kiev precisa urgentemente destes fundos, 60 mil milhões de euros dos quais irão para as Forças Armadas, para financiar o seu esforço de guerra em 2026 e 2027, contra a invasão russa iniciada em 2022.

Na sexta-feira, a Bloomberg News noticiou que a Ucrânia só tinha dinheiro suficiente para cobrir as suas despesas militares até junho. Contudo, na segunda-feira, Volodymyr Zelensky descartou, por agora, o risco de suspender os pagamentos a soldados e funcionários públicos.

Ao receber hoje em Kiev a Alta Representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Kaja Kallas, o Presidente ucraniano pediu-lhe uma solução para desbloquear o crédito de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia que os 27 aprovaram em dezembro e que a Hungria continua a travar.

"A principal prioridade é desbloquear os 90.000 milhões do pacote de apoio financeiro à Ucrânia", escreveu Zelensky nas redes sociais após o encontro com Kallas.

O Presidente ucraniano reiterou que o dinheiro "é de fundamental importância" para Kiev e salientou que o empréstimo é "uma garantia de segurança financeira não só para a Ucrânia, mas para toda a Europa".

"Este mesmo pacote deve garantir a nossa defesa e enviar um sinal aos russos de que a sua guerra está condenada ao fracasso. Esse sinal depende da Europa e é essencial que seja enviado, para que a guerra possa terminar mais cedo", defendeu Zelensky.

Entretanto, na linha da frente, os combates prosseguem, após o fracasso, nos últimos meses, das reuniões trilaterais entre os Estados Unidos, a Ucrânia e a Rússia, para tentar encontrar uma solução diplomática para o conflito.

Hoje, Zelensky indicou que se reunirá na quarta-feira por videoconferência com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner (genro do Presidente norte-americano, Donald Trump), o senador Lindsey Graham, e o secretário-geral da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental), Mark Rutte.

"Debateremos a nossa situação atual e quão perto estamos de acordos trilaterais ou, pelo menos, de reuniões trilaterais", afirmou Zelensky.

O líder ucraniano falava perante representantes dos Estados-membros da UE, à margem de uma cerimónia para assinalar o massacre ocorrido em Bucha, perto de Kiev, em março de 2022, no início da invasão em grande escala, quando centenas de civis foram barbaramente torturados e executados durante a breve ocupação russa da cidade.

Segundo o Presidente ucraniano, a Rússia avisou os negociadores norte-americanos de que se Kiev não abandonar por completo o Donbass no prazo de dois meses, tomará o controlo da região e imporá novas condições para pôr fim à guerra na Ucrânia.

"Até agora, o que a Rússia quer, e o que os seus parceiros têm dito, é que a guerra terminará quando a Ucrânia retirar do leste. O problema é que [os russos] estão a dar à parte norte-americana novos prazos", observou Zelensky, no evento que assinalou o quarto aniversário do massacre de Bucha.

"Disseram - esta é a informação mais recente - que dentro de dois meses vão tomar o leste do nosso país, cito textualmente: vão conquistar o Donbass. E depois a Ucrânia terá dois meses para retirar, e então a guerra acabará. Mas se a Ucrânia não retirar daqui a dois meses, então a Rússia vai tomar o Donbass, e depois haverá outras condições", acrescentou.

Zelensky recordou que a Rússia exige que a Ucrânia abdique do território que continua a controlar na sua região do Donbass, como condição para pôr fim à guerra.

Kiev rejeita fazer tal concessão, apesar das pressões de que alegadamente tem sido alvo por parte dos Estados Unidos para que aceite os termos russos.

A Ucrânia ainda controla mais de um quinto do Donbass, ao passo que a Rússia tomou pela força o restante território dessa região histórica do leste ucraniano.

Zelensky salientou que é preciso perguntar por que é que, se o objetivo dos russos é o Donbass, estão a considerar impor novas condições caso consigam tomar essa região.

"Portanto, na minha opinião, o problema não gira realmente em torno do Donbass", sublinhou.

O Presidente ucraniano observou que os russos sabem perfeitamente que não conseguirão controlar o Donbass em dois meses, razão pela qual estão a recorrer à pressão sobre os seus parceiros.

Por outro lado, Zelensky reiterou que está disposto a chegar a um compromisso e que os ucranianos estão preparados para um cessar-fogo nas atuais posições.

"Penso tratar-se de um compromisso sólido, tanto em termos de comportamento como da postura da parte ucraniana, para avançar para a diplomacia", sustentou.

Hoje, o chefe de Estado ucraniano reiterou a proposta feita na segunda-feira de um cessar-fogo para a Páscoa Ortodoxa, e instou os Estados Unidos a apoiarem a proposta.

"Falei disto ontem e repito-o hoje: propusemos um cessar-fogo para o feriado da Páscoa. Esperamos que os Estados Unidos apoiem esta proposta e aguardamos uma resposta da Rússia", disse Zelensky durante a reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da UE hoje realizada em Kiev, noticiou a agência estatal ucraniana Ukrinform.

O Presidente ucraniano referiu também que tenciona falar na quarta-feira com os mediadores norte-americanos sobre esta questão.

A Páscoa ortodoxa celebra-se no dia 12 de abril.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou já hoje que a Rússia rejeita a hipótese de um cessar-fogo e instou Zelensky a tomar as medidas necessárias para que se assine uma paz definitiva.

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