Zelensky promete divulgar ficheiros sobre massacre de polacos na Volínia

Zelensky promete divulgar ficheiros sobre massacre de polacos na Volínia

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, prometeu divulgar ficheiros relacionados com o massacre de dezenas de milhares de polacos pelos nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial na região da Volínia.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"As prioridades são claras: todos na Europa precisam de boas relações de vizinhança, igualitárias e mutuamente benéficas, baseadas no respeito", destacou o chefe de Estado ucraniano numa mensagem nas redes sociais na sexta-feira após uma reunião sobre a política de Kiev em relação à Polónia.

Zelensky, que realçou que "a Polónia apoiou de forma visível a Ucrânia após o início da invasão russa em grande escala", garantiu que Kiev chegou a acordo com Varsóvia sobre várias questões, incluindo a Volínia.

"Todos os ficheiros do Serviço de Segurança da Ucrânia e do Serviço de Informações Estrangeiras da Ucrânia referentes aos trágicos acontecimentos do século XX na Volínia serão libertados", garantiu Zelensky, acrescentando que o acordo inclui também a concessão de "um número substancial de autorizações adicionais para trabalhos de busca e exumação" de vítimas.

O Presidente ucraniano afirmou ainda que as partes discutiram "possíveis formatos para expandir o diálogo entre as sociedades ucraniana e polaca".

A iniciativa ocorre após tensões diplomáticas entre os dois lados nas últimas semanas.

O atrito começou quando Zelensky atribuiu ao Centro de Operações Especiais do Norte das forças especiais do Exército uma designação que Polónia relaciona com as unidades responsáveis pelos massacres de Volínia.

Em resposta, o Presidente polaco Karol Nawrocki anunciou a revogação da Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração da Polónia, que tinha sido atribuída a Zelensky pelo então Presidente Andrzej Duda.

Com este anúncio, Zelensky tenta apaziguar os ânimos depois de o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, ter apelado implicitamente a Kiev para que aceitasse a verdade sobre o sucedido.

"A verdade consiste em identificar e nomear os perpetradores. É a condenação inequívoca deste crime. A verdade é a memória de cada vítima e o local da sua execução. Os assassinados não podem permanecer anónimos", realçou o primeiro-ministro polaco.

O Exército Insurgente Ucraniano (UPA) e outros grupos armados nacionalistas executaram uma campanha de limpeza étnica e massacres em 1943 e 1944 na região da Volínia e da Galícia, então sob ocupação nazi, resultando na morte de até 100.000 civis polacos.

Em 13 de julho, o Instituto Ucraniano da Memória Nacional anunciou uma nova fase de investigação nas antigas aldeias de Ostrivki e Volya Ostrovetska, no distrito de Kovel, região da Volínia, com o objetivo de exumar e voltar a enterrar os restos mortais dos habitantes locais que morreram em 1943.

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