Zelensky volta a pressionar aliados e pede mais ação após bombardeamentos russos

Zelensky volta a pressionar aliados e pede mais ação após bombardeamentos russos

O presidente ucraniano voltou a pressionar os aliados e pediu mais ação, depois do ataque aéreo russo em grande escala, na última noite, sobre o território da Ucrânia.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Thomas Peter - Reuters

"É importante que os parceiros não se calem sobre este ataque. E é igualmente importante continuar a apoiar a proteção do nosso espaço aéreo", disse Zelensky numa mensagem ao país.

“Deve haver uma resposta justa a todos estes ataques. E a pressão sobre Moscovo deve ser tal que sintam as consequências do seu terror. É importante que as sanções globais contra a Rússia se mantenham em vigor. A responsabilização da Rússia por esta guerra e a pressão das nossas sanções devem funcionar com toda a força”, acrescentou. O ataque da última noite foi um dos maiores de sempre da Rússia contra a Ucrânia nestes quatro anos de guerra.

Kiev foi o principal alvo dos ataques noturnos. O Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia informou que pelo menos 16 pessoas, incluindo duas crianças, morreram na capital, e o presidente da câmara, Vitali Klitschko, decretou luto oficial na sexta-feira.

De acordo com a Força Aérea Ucraniana, Moscovo lançou 675 drones e 56 mísseis na madrugada de quarta-feira, sendo que a maioria foram abatidos pelas forças ucranianas. Esta onda de ataques aéreos foi uma das maiores das últimas semanas, tendo ocorrido 48 horas após o fim de um cessar-fogo de três dias.

Na mensagem ao país, o presidente ucraniano refere que as primeiras investigações apontam para o uso de mísseis que integram componentes à revelia das sanções internacionais.

Zelensky disse que, no total, 180 instalações foram danificadas na Ucrânia, incluindo mais de 50 edifícios residenciais.

Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, 28 pessoas, incluindo três crianças, ficaram feridas e as infraestruturas civis foram atingidas, segundo o governador regional Oleh Syniehubov.

O bombardeamento ocorreu depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter afirmado no sábado que a guerra de quatro anos estava “a chegar ao fim”.

"Estas não são, definitivamente, as ações de quem acredita que a guerra está a chegar ao fim", disse Zelensky.


Enquanto isso, esta quinta-feira foi anunciado que o antigo braço direito de Zelensky vai ficar em prisão preventiva. Andry Yermak está a ser investigado por corrupção e é acusado de desvios de fundos para um projeto imobiliário de luxo.

Um tribunal decidiu esta quinta-feira pela prisão preventiva durante dois meses, mas sob fiança. Para sair em liberdade, o antigo chefe de gabinete de Zelensky tem de desembolsar cerca de 2,7 milhões de euros.
A reação dos aliados
Os aliados da Ucrânia condenaram prontamente este último ataque, com o presidente francês, Emmanuel Macron, a considerá-lo uma prova da "fraqueza" de Moscovo, que "não sabe como pôr fim à sua guerra de agressão".

Os bombardeamentos "mostram que Moscovo está a apostar na escalada em vez da negociação", lamentou o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Friedrich Merz, no X.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acusou a Rússia de estar a "gozar abertamente" com os esforços diplomáticos para trazer a paz à Ucrânia
e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia, Juraj Blanar, condenou a "escalada", que reduz as hipóteses de um "diálogo pacífico".

O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, anunciou que seu novo Governo convocou o embaixador russo devido a um ataque maciço com drones perto da fronteira da Hungria – o que marca uma mudança significativa das relações de Budapeste com Moscovo em comparação com o seu antecessor, Viktor Orbán.

"O governo húngaro condena veementemente o ataque russo à Transcarpátia", disse Magyar aos jornalistas, acrescentando que o ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros perguntará “quando a Rússia e Vladimir Putin planeiam finalmente acabar com esta guerra sangrenta”.

c/agências
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