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180 mil manifestaram-se contra austeridade

180 mil manifestaram-se contra austeridade

Cento e oitenta mil pessoas manifestaram-se em Lisboa e no Porto contra a austeridade e as políticas do Governo. Os trabalhadores presentes nas manifestações, convocadas pela CGTP aprovaram a realização de uma semana de luta, entre 20 e 29 de outubro, que incluirá greves nos sectores privado e público.

RTP /
CGTP marcou semana de luta entre 20 e 29 de outubro José Coelho, Lusa

No protesto, que decorreu no dia em que a CGTP comemora o seu 41.º aniversário, os manifestantes aprovaram “a continuação da luta cada vez mais geral contra a destruição dos direitos laborais e sociais e contra o empobrecimento e as injustiças e pelo emprego, salários, pensões e direitos sociais”.

Segundo a central sindical, os desfiles em Lisboa e no Porto juntaram 180 mil pessoas. Na capital, a manifestação, que juntou 130 mil trabalhadores, desfilou pela Avenida da Liberdade. No Porto, 50 mil manifestaram-se na Avenida dos Aliados.

Discurso de Carvalho da Silva
No seu discurso, na Praça dos Restauradores, Carvalho da Silva fez fortes críticas ao Governo, ao Presidente da República e à “Troika”.

“O primeiro-ministro andou, conscientemente, a mentir aos portugueses durante a campanha eleitoral”, afirmou o sindicalista que acrescentou que “os primeiros 100 dias do Governo PSD/CDS foram uma desgraça”.

O secretário-geral da GCTP acusou o Executivo “de não ter uma visão para o país em termos de desenvolvimento”.

"Estas políticas só provocam recessão económica e aumento do desemprego e fazem baixar o nível de desenvolvimento do país", afirmou o sindicalista que acrescentou “que a redução do nível de vida dos portugueses não é apenas uma questão material mas põe também em causa a democracia”.

O sindicalista lançou um desafio ao Partido Socialista para que não continue prisioneiro do memorado com a “Troika”.

“Nós percebemos a situação política, queremos dizer com toda a clareza e sem arrogância, que o Partido Socialista não pode continuar prisioneiro do programa de retrocesso e de agressão que é o memorado da ‘Troika’. Não pode haver condescendência. Não pode haver hesitações”.

Carvalho da Silva acusou o Presidente da República de ter uma fé falsa sobre o impacto das medidas de austeridade, e afirma que a posição de Cavaco Silva sobre o memorado de entendimento com a “Troika” é vergonhosa.

“Diz o Senhor Presidente que é preciso fazer estes sacrifícios e que ele tem fé que isto vá dar resultado. E nós sabemos que essa é uma fé falsa, que a solução para os problemas não está em isolar cada cidadão no seu sofrimento. A solução está na construção de uma dinâmica e de uma luta coletiva”, afirmou.

No seu discurso o secretário-geral da CGTP deixou um apelo à participação dos movimentos sociais e políticos na organização de formas de luta.

“Vamos estar mais no terreno é um compromisso de todos os que aqui estamos, Mas também apelo a todas as forças sociais a todas as forças políticas para que se preocupem com os direitos dos trabalhadores. É indispensável um grande apoio aos trabalhadores para que possam organizar-se no local de trabalho, para terem liberdade sindical. Essa liberdade é um elemento de construção do futuro”.

Ainda durante o seu discurso, Carvalho da Silva deixou um apelo aos jovens para que continuem a lutar pelos seus direitos e por um futuro melhor.

“Nós não aceitamos o atrofiamento em que querem colocar a juventude. É muito importante dizer que não se pode cortar direitos às gerações jovens, não se pode amputar o futuro. É preciso continuar a lutar pelo direito à saúde, à segurança social, à proteção na velhice, por infraestruturas que propiciem o desenvolvimento da sociedade. “.

“Está interiorizado que isto faz parte da vida, mas cuidado, isto hoje está em perigo”, rematou.
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